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É prática usual nas empresas a realização de avaliação de riscos por meio de mapas de risco, mapas de calor e classificações de risco. Elas são baseadas em avaliações subjetivas da criticidade do impacto de possíveis eventos futuros, bem como de sua probabilidade de ocorrência.

Essas abordagens fornecem uma imagem geral dos riscos, parecem simples e compreensíveis para a maioria das pessoas. No entanto, elas geralmente resultam de um processo sistemático e fornecem um perfil aproximado dos riscos da organização.

Principais atribuições de uma avaliação de riscos

Atributos comuns do mapa de riscos incluem os objetivos da Alta Direção baseados em uma estratégia ou plano de negócios. Isso porque é ela quem fornece o contexto para a avaliação. É a partir desse contexto que se cria uma linguagem comum que possibilita a compreensão do universo de riscos relevantes e critérios predeterminados para a realização de uma avaliação de riscos.

Embora todos concordem que uma avaliação de risco eficaz nunca deve terminar com a gerência tendo em mãos uma lista de riscos, não é incomum que as avaliações de riscos tradicionais façam exatamente isso. E isso deixa os tomadores de decisão com poucas informações sobre o que fazer em seguida. Então, por que é um desafio para as empresas ir além de uma avaliação de riscos para um plano acionável? A Protiviti Brasil oferece quatro razões.

Razão 1. Impressões individuais na avaliação de riscos

Primeiro, o processo de avaliação de riscos pode permitir que impressões individuais afetem a avaliação, promovam o “pensamento de grupo” e se antecipem ao pensamento inovador.

Razão 2. Pessoas são diferentes, logo os entendimentos são diferentes

A pesquisa mostrou que escalas derivadas de descrições qualitativas de criticidade e probabilidade são entendidas e usadas de maneira diferente por pessoas diferentes. As avaliações de participantes desinformados costumam ser moderadas nessas escalas e podem distorcer os resultados gerais.  

As interseções em um mapa de risco são médias aritméticas de visões, algumas vezes, amplamente dispersas e não são necessariamente um consenso dos avaliadores participantes.

Razão 3. Experiências passadas podem distorcer uma análise racional

Avaliações subjetivas são, frequentemente, influenciadas pela experiência. Esse é um atalho perigoso no processo de avaliações de riscos. Isso porque se tem algo que aprendemos ao longo dos anos é que o passado nem sempre é um indicador confiável do que esperar no futuro.

Por exemplo, a crise financeira nos ensinou que o que não sabemos é mais importante do que aquilo que sabemos.

A integridade do processo de avaliação de riscos pode ser prejudicada pelo excesso de confiança decorrente de sucessos passados e por uma visão excessivamente simplificada do futuro. 

Razão 4. Situações extremas são deixadas de lado

O processo tradicional de avaliação de riscos oferece poucas informações sobre o que fazer com exposições a eventos extremos. Às vezes, o processo leva a uma conclusão para tirar dos holofotes os chamados riscos de “alto impacto, baixa probabilidade”.

Isso é resultado das baixas probabilidades de eles ocorrerem e de uma falsa sensação de segurança decorrente da falta de precedência histórica. Esses eventos, caso ocorram ou não de forma inesperada, frequentemente causam mais danos.

Portanto, o processo precisa levar em conta fatores como a rapidez ou a velocidade do impacto, a persistência do impacto ao longo do tempo e a prontidão de resposta da organização.

Ainda há espaço para abordagens tradicionais de avaliação de riscos, pois geram reconhecimento e permitem a obtenção rápida de uma visão geral do risco. Principalmente quando uma empresa está apenas iniciando seu percurso pelo ERM (Enterprise Risk Management – Gestão de riscos dos negócios).

No entanto, as abordagens tradicionais perdem seu valor ao longo do tempo e se tornam mais uma ferramenta de “olhar para o passado”. E na verdade elas deveriam ser um exercício prospectivo à medida que o gerenciamento de riscos da empresa evolui.

Dessa forma, mecanismos de avaliação de riscos mais focados podem ser necessários para fornecer informações que a gestão da empresa necessita. Se muito pouco acontecer como resultado do processo de avaliação de riscos de uma organização, este será um sinal claro de que abordagens alternativas devem ser consideradas.

A “Avaliação de Programas de Compliance Corporativos” (Guia de Orientação do Programa de Compliance) atualiza a orientação divulgada anteriormente em 8 de fevereiro de 2017 e fornece às empresas maior clareza na avaliação do governo americano sobre programas de Compliance.

O Guia de Orientação do Programa de Compliance expande as “questões fundamentais” previamente fornecidas para os procuradores para avaliar se um programa de Compliance está adequadamente identificando e prevenindo a conduta indevida.

Perguntas fundamentais sobre os programas de Compliance

  1. O programa de Compliance da corporação é bem projetado?
  2. O programa está sendo aplicado com honestidade e de boa fé? Em outras palavras, o programa está sendo implementado de forma efetiva?
  3. O programa de Compliance funciona na prática?

Notavelmente, embora os principais fatores relevantes para a análise por um procurador permaneçam os mesmos, este Guia enfatiza que não existe uma abordagem única para avaliar o programa de Compliance de uma empresa. Em vez disso, “o perfil de risco de cada empresa e as soluções para reduzir seus respectivos riscos determinam a realização de uma avaliação particularizada/individualizada”. Com o objetivo de realizar a mencionada avaliação individualizada, o Guia de Orientação do Programa de Compliance fornece um conjunto organizado de tópicos com os quais a performance e o programa de Compliance de uma empresa serão avaliados.

O DOJ sinaliza que não está atrás de um “checklist” de esforços de Compliance, mas que espera que as empresas construam um programa de Compliance individualizado, que aborde os riscos reais e específicos enfrentados por este negócio e que seja adequadamente implementado para garantir que o mesmo seja verdadeiramente efetivo.

O Guia de Orientação do Programa de Compliance enfatiza que as empresas têm flexibilidade para construir/desenvolver e melhorar o programa de Compliance, com o objetivo de assegurar que o mesmo seja adaptado e direcionado para os riscos que as empresas enfrentam devido o atual ambiente normativo e legal. A alta direção da empresa deve ser envolvida e também ser responsável pelo processo de avaliação das áreas de alto risco.

Além disso, a empresa também deve contar com o apoio dos times de negócios para identificar as maiores áreas de risco, auxiliar no desenvolvimento de canais apropriados e eficazes de comunicação e garantir que as políticas, procedimentos, treinamentos e controles internos adicionais irão funcionar efetivamente no âmbito da estrutura da empresa e sua respectiva cultura. Cada empresa deve considerar os tipos de mas condutas que tenham maior probabilidade de ocorrer em seus negócios e mensurar se o programa de Compliance de sua empresa está projetado/desenvolvido para identificar, detectar e prevenir condutas impróprias, a priorização de áreas de alto risco, as atividades adicionais de Compliance serão voltadas para as atividades particularmente sensíveis.

Além disso, quando os procuradores estão avaliando como um programa de Compliance é estruturado e se existem suficiente quantidade e qualidade de funcionários e recursos dedicados ao programa de Compliance para promover os desenvolvimento e objetivos, os procuradores irão levar em conta características específicas de cada empresa, como “tamanho, estrutura e perfil de risco”. O Guia de Orientação do Programa de Compliance enfatiza que os procuradores devem garantir que o programa de Compliance de uma empresa não seja bom apenas no papel, mas que seja “projetado/desenvolvido para detectar os tipos específicos de condutas improprias mais prováveis de ocorrer na linha de negócios de uma empresa em particular”.

Alta direção das empresas

A alta direção de cada uma das empresas também deve demonstrar de maneira visível a liderança e o compromisso com uma cultura de Compliance por meio de ações concretas. O Guia de Orientação do Programa de Compliance instrui os procuradores a buscarem provas concretas de exemplos de como a alta gestão está definindo tom de Compliance para o restante dos funcionários da empresa e como esta sendo comunicado aos funcionários que a alta administração realmente tem seriedade em relação ao programa de Compliance.

A alta direção deve ir além de apenas enviar mensagens e, de fato, fazer ações concretas para modelar e incentivar o comportamento adequado. Isso deve incluir o ato de “ não incentivar os funcionários a agir de forma antiética para atingir um objetivo comercial”.

O Guia de Orientação do Programa de Compliance enfatiza que os procuradores devem questionar se a expertise de Compliance tem estado disponível para o conselho da empresa. Isso inclui se o conselho se reuniu individualmente com o Compliance Officer e seu time (se aplicável) e outras funções de controles, quais foram os os tipos de documentos e informações que foram disponibilizados para o conselho, incluindo no que diz respeito a áreas onde violações de políticas da empresa ocorreram. As empresas devem considerar como será endereçada a questão da supervisão do conselho em relação ao Compliance Officer e sua equipe e como essa supervisão foi documentada ao longo do tempo.

O Guia de Orientação do Programa de Compliance novamente reforça os princípios que o DOJ, por longa data, tem requerido em relação a um programa de Compliance efetivo, especificamente, o departamento de Compliance da empresa deve ter orçamento adequado e possuir os recursos, autoridade e apoio da alta administração para efetivamente avaliar, investigar e sugerir medidas disciplinares para violações.

As empresas devem garantir que as investigações internas sejam conduzidas no tempo e de forma adequada. Por exemplo, o Guia coloca em prática procedimentos para assegurar que as “investigações sejam independentes, objetivas, apropriadamente conduzidas e adequadamente documentadas”. Caso uma conduta indevida seja identificada, o Guia de Orientação do Programa de Compliance estabelece a obrigatoriedade que a empresa realize uma análise adequada e honesta de causa raiz da conduta indevida, com o objetivo de entender: (i) o que contribuiu para tenha ocorrido a má conduta; e (ii) o grau de remediação necessária para prevenir que eventos semelhantes ocorram novamente no futuro. Ao fazer isso, as empresas não apenas estão reagindo a conduta indevida, mas, de fato, lidando com a conduta inadequada em questão ao utilizar a investigação como uma oportunidade para identificar a causa raiz da má conduta e quaisquer pontos fracos no programa de Compliance e/ou nos controles internos da empresa. A empresa terá a oportunidade realizar melhorias onde for necessário baseado no conceito de “lições aprendidas”.

O Guia de Orientação do Programa de Compliance também aconselha aos procuradores a questionar se a empresa realizou testes nos controles e fez análises de dados em áreas de riscos de Compliance e, quando os sinais de riscos são identificados se seguiu adiante com entrevistas com funcionários visando detectar a causa raiz em sua essência.

O DOJ também sugere aos procuradores para que eles devam examinar com que frequência e de que forma a empresa está mensurando sua própria cultura de Compliance, através de imputs de funcionários de toda a organização sobre suas respectivas percepções sobre o compromisso da alta administração com o programa de Compliance. Em outras palavras, em vez de simplesmente confiar nas informações fornecidas por meio dos canais de denúncias da empresa sobre potenciais violações de conduta, as empresas devem buscar informações dos funcionários sobre a cultura de Compliance da empresa antes que as violações sejam relatadas.

Principal lição

A principal lição deste Guia seja que, mais do que nunca, que as empresas devem realizar um cálculo do risco que querem e/ou devam enfrentar ao decidir quanto irão investir em um programa de Compliance que seja realmente efetivo. Com maior ênfase, o DOJ expressou a opinião de que “programas de Compliance de papel” não são suficientes, e que o DOJ está se tornando muito mais sofisticado em sua abordagem para determinar a efetividade ou não de um programa de Compliance.

Embora o tamanho e a forma variem, toda empresa deve se perguntar se está lidando com cada um dos elementos de um programa de Compliance de forma efetiva e foram dedicados recursos suficientes para endereçar/ lidar com as atividades de negócios de maior risco, não somente em bases reativas, mas antecipando que a violação ao programa de Compliance pode ocorrer.

A aversão a vamos prevenir/evitar “problemas no futuro”, embora muitas vezes difícil de ser financeiramente avaliada sob o ponto de vista do retorno sobre o investimento, é provavelmente o maior incentivo para as empresas que investem e implementam programas de Compliance efetivos.

Riscos empresariais podem ser resumidos como as incertezas com as quais os gestores devem lidar quando estão à frente de uma organização. Em maior e menor grau, toda organização está exposta a riscos, sejam eles regulatórios, operacionais, estratégicos, cibernéticos, entre tantos outros tipos possíveis. A auditoria interna é uma aliada indispensável nesse contexto.

Como mencionado, a incerteza é natural. No entanto, quanto melhores as condições de as empresas dimensionarem os riscos maiores serão as chances que elas terão de obter sucesso no mercado em que atuam. E é exatamente em face desse trabalho que a auditoria interna ganha relevância.

Afinal de contas, fica a cargo deste departamento acompanhar a conformidade dos processos de trabalho e atuar de forma preventiva para evitar quaisquer problemas dessa natureza. Para quem é auditor ou tem alguma interface com o trabalho de auditoria na organização vale ficar atento ao que vem sendo chamado de próxima geração da auditoria interna. E este é o tema do artigo de hoje. Continue a leitura e entenda quais são eles.

Entenda as dimensões da auditoria interna

O risco empresarial pode ser pensando tanto sob o ponto de vista interno quanto externo. No tópicos, a seguir, vamos pontuar o que é cada um deles. Acompanhe!

Externo

O risco externo tem a ver com o humor do mercado e a percepção do ambiente exterior em relação à organização.  Para mensuração desse tipo de risco, vale a analise de notícias, comentários em redes sociais, informações setoriais. Enfim, acompanhar o comportamento de agentes externos em relação à empresa, de modo a capturar situações adversas e trabalhar de forma preventiva em relação a possíveis problemas.

O objetivo aqui é apurar as menções que a empresa recebe em diferentes espaços, sejam elas boas ou de ruins. Ou, ainda, tentar reconhecer  algo que não esteja diretamente relacionado organização, mas que talvez possa impactá-la.

Interno

Os riscos internos estão ligados a questões operacionais. A partir disso, podemos pensar em uma série de pontos relevantes, tais como: qual é o risco se a equipe de vendas não souber apresentar determinado produto ao mercado? Quais os riscos das lideranças de um negócio gerirem mal o os profissionais dos seus times? Como trabalhar com esses riscos? Que ações tomar?

Para ficarmos em um exemplo prático, podemos pensar no risco de acidente de trabalho. Existe todo um protocolo adotado pelas organizações, o que envolve diferentes níveis de monitoramento, treinamento, adoção de equipamentos, checklist procedimental, entre tantas outras coisas. No entanto, existiria um trabalho consistente para se verificar quais são as reais causas dos acidentes de trabalho? Ou a empresa estaria apenas reproduzindo antigos processos que, muitas vezes, são insuficientes para tratar do problema?

E é aí que a próxima geração da auditoria interna ganha relevância. Isso porque esse tipo de abordagem pressupõe a adoção de técnicas inovadoras para tratar os riscos em sua “causa raiz”.

Uma abordagem válida frente ao problema de segurança em ambiente de trabalho seria realizar uma análise minuciosa dos acidentes já registrados se valendo de técnicas de tratamento de grandes volumes de dados e inteligência artificial afim de identificar padrões frente aos casos observados.

Tendências da auditoria interna

Conheça as principais tendências da auditoria interna frente as interfaces de governança, metodologia e tecnologia.

Governança

No que se refere a governança da auditoria interna, o que se espera das equipes é um constante esforço voltado à inovação. Para isso, se faz necessário estabelecer uma visão coletiva de múltiplos riscos, controles, conformidades — tudo isso avaliado a partir de uma perspectiva única.

Cabe também fazer algumas considerações em relação à formação dos profissionais ligados a atividades de auditoria interna. O que era há bem pouco tempo considerado qualificação ou função do futuro, hoje já se considera como técnica essencial para exercício desse tipo de atividade. Isto é, se espera cada vez mais por novas abordagens para a condução dos trabalhos e aplicação dos talentos e recursos.

Quando se fala em auditoria interna, não se pode perder de vista as melhores práticas de auditoria interna. Afinal de contas, trabalhar pela integridade e ética nas organizações também é uma competência das auditorias internas.

Metodologia

Quanto à metodologia da auditoria interna, deve-se considerar a adoção de uma avaliação dinâmica de todos os processos. Isso se dá a partir do uso de fontes de dados internas e externas. Além disso, há de se pensar na implementação de um programa maduro de monitoramento, que permita às auditorias internas responder às mudanças nos negócios quase que em tempo real.

As novas tendências de metodologia também passam pela geração de relatórios de alto impacto. Isso porque formatos de relatórios longos e narrativos dificultam um bom aproveitamento das informações absolutamente estratégicas desses documentos.

Tecnologia na auditoria interna

A tecnologia incorporada ao ciclo de vida da auditoria interna será uma competência vital às organizações. Afinal de contas, o tratamento de grandes volumes de dados gerados pelas empresas acaba por exigir ferramentas cada vez mais refinadas. Em meio a esse trabalho, cabe explorar as tecnologias existentes e aquelas em ascensão, como RPA, Inteligência Artificial, Machine Learning, analise massiva de dados, etc.

Com a automatização de tarefas altamente manuais dentro da função, o aproveitamento de dados permite entender processos em um nível mais profundo. Além disso, graças aos métodos de AI e algorítmicos, ainda é possível aumentar a eficácia e a eficiência de testes complexos, o que contribui para o reconhecimento de padrões.

Frente a esse que foi exposto, podemos afirmar que a análise de dados massivas e uma variedade de aplicações de tecnologias é uma característica definidora das funções de auditoria interna da próxima geração.

A interrupção das atividades de transportes de carga não é uma novidade. Só no Brasil, há histórico de greve nos anos 1999, 2008, 2013, 2015, 2017, além da recente paralisação nacional organizada em função do reajuste do preço do óleo diesel. Este cenário não é exclusivo do nosso país, de acordo com o Relatório de Resiliência no Supply Chain de 2017, do Business Continuity Institute (BCI). Realizado em 64 países, o documento apresenta a Interrupção das Atividades de Transporte como a 5ª maior causa de ruptura no Supply Chain, precedida por questões relacionadas a telecomunicações e ciberataques. Nesse sentido, a gestão de continuidade de negócios é essencial.

O relatório aponta que os principais impactos destas rupturas estão relacionados a perda de produtividade e de receita e aumento dos custos após o evento, seguindo o perfil da realidade brasileira. Pela ótica de perda de produtividade, algumas empresas sofrem rapidamente com as rupturas, principalmente, aquelas que trabalham com alto giro ou baixos estoques, como as indústrias automobilísticas no modelo just in time ou varejistas, bem como os operadores logísticos, que contam com centros de distribuição e precisam de recorrência no fluxo de entrega.

Além disso, por conta do desabastecimento, também há perda de receita, que pode vir a comprometer de 2% a 5% do faturamento mensal das companhias. Com relação ao aumento de custos, no setor agropecuário, por exemplo, em que a escassez de produtos afeta rapidamente os preços, é possível que haja aumento de mais de 100%. Para se ter uma ideia, na greve de 2015, o preço da batata subiu 250%.
Se este assunto não é novidade para os empresários brasileiros, por que sempre em situações de paralisações há surpresas e os impactos são tão significantes? A resposta está na falta de um Programa de Gestão de Continuidade de Negócios e Crises, que permite as organizações se prepararem para reagirem ao evento de forma rápida e retomarem as atividades com o menor impacto.

Para quem ainda não sabe, o primeiro passo do programa é o planejamento. Nesta fase, são identificados os processos e recursos críticos à empresa, para que sejam traçadas alternativas com o intuito de evitar e/ou minimizar impactos e definir os papéis e responsabilidades dos executivos e suas equipes. Dessa forma, é possível identificar, por exemplo, outros fornecedores ou parceiros de distribuição, que podem atender em casos de emergências, ou formas de aumentar o nível de estoque, conforme o tempo de ruptura médio provável.

A segunda fase, a de preparação, envolve a execução de passos previstos no planejamento, a formalização e a divulgação dos planos para os responsáveis, como no exemplo anterior, em que é preciso entrar em contato com os parceiros e fornecedores, para definir os gatilhos e o formato de abastecimento de itens críticos, ou aumentar os espaços para atender o novo nível de estoque. Essas etapas são as mais importantes e seguem o princípio de que “o momento de consertar o telhado é quando o sol está brilhando”. Após o planejamento e a preparação, a empresa passa a ter um plano com ações definidas, para ser ativado no momento de um evento, como no caso da greve dos caminhoneiros.

A implantação de um Programa de Gestão de Continuidade de Negócios e Crises é fundamental para a resiliência das empresas em situações de interrupções e crises, tanto que 74% das que foram analisadas no relatório da BCI contam com um plano de continuidade. Vale ressaltar ainda que o compromisso da alta gestão aumentou de 33%, em 2015, para 41%, em 2017.

Por Victor Tubino, gerente de BPI (Business Performance Improvement) e Risk Management e líder da prática de Distribuição e Gestão de Estoques da Protiviti do Brasil

O monitoramento de informação não é apenas uma boa prática para a segurança de dados das empresas, mas uma necessidade. Um levantamento realizado pela Protiviti Brasil mostra que entre 2014 e 2018, dos 32 mil incidentes analisados nas empresas que participaram da pesquisa, mais de 70% eram relativos ao vazamento de informações.

O vazamento de informações confidenciais tornou-se um dos principais desafios de negócios globalmente. Hoje, nenhuma indústria ou empresa está 100% protegida contra perda e/ou roubo de dados. Garantir a segurança das informações está se tornando parte integrante dos processos de negócio e papel do monitoramento de informação.

Vazamentos mais comuns são a divulgação de resultados, planejamento financeiro, projetos estratégicos, dados dos colaboradores e dados de clientes. Normalmente esses vazamentos ocorrem internamente, cometidos por pessoas da organização.

É importante também conhecer a relação que existe entre os tipos de incidentes como, por exemplo, um incidente detectado sobre perda de talento, que ocorre quando o colaborador pretende deixar a empresa, geralmente está associado aos incidentes vazamento de informação. Quando o colaborador decide deixar a empresa, ele inicia um processo de transferência de arquivos para seu e-mail particular, para que ele possa utilizar essas informações em outras empresas que ele virá a trabalhar.

Com a lei geral de proteção de dados (LGPD) que entrou em vigor em agosto de 2020, os cuidados com os dados devem ser ainda maiores. Isso significa que as empresas precisam monitorar toda movimentação realizada, garantindo a segurança destas informações.

Além do vazamento de informações o monitoramento de informação pode detectar fraudes corporativas. E, quando há a falta de monitoramento de informação, a maioria dos riscos só são detectados depois de ser tornarem um problema. E essa detecção tardia da ameaça interna reduz as opções de correção.

Uma fraude não acontece da noite para o dia. O fraudador vai testando o ambiente, inicialmente de uma forma mais tímida e assim aumentando o risco de grandes fraudes. Com um monitoramento de informação efetivo é possível verificar indícios precoces da intenção.

A maior parte do gerenciamento de risco é, na verdade, o gerenciamento de incidentes e o foco está no forense.

Quais os riscos de um ambiente de trabalho sem monitoramento de informação?

Com o monitoramento de informação no ambiente é possível cobrir diversas irregularidades e riscos, tais como:

Quanto maior o número de entidades sob o monitoramento de informação maior será a capacidade de detecção, prevenção e reação.

Visto a quantidade de riscos existes, podemos dizer que o monitoramento pode ser utilizado por diversas áreas de uma empresa a exemplo, áreas de compliance, recursos humanos, investigação, segurança, qualidade, auditoria, entre outras.

Quais são as áreas que trazem mais estes tipos de incidentes

Em pesquisa realizada ao logo destes 10 anos na ICTS Protiviti, mostrou que operações/manufatura e comercial concentram mais de 50% dos incidentes detectados. Isso mostra que devemos estar mais atentos a elas, mas sem deixar de lado as demais áreas como a financeira, marketing, recursos humanos, logística.

Quais os níveis organizacionais com maiores riscos?

Segundo nossa experiência de mais de 10 anos, 100% das empresas possuem dados suficiente para detectar e prevenir diversos riscos.

Monitoramento de informação de Acordo com a Lei

Monitoramento de informação do ambiente corporativo é uma ferramenta útil para a prevenção e mitigação de riscos. Porém, não é incomum o tráfego de dados pessoas. Para estar em conformidade, alguns pontos precisam ser verificados:

Os 4 pilares para um processo maduro de monitoramento envolvem unir

Confira os pilares do monitoramento de informação eficaz e maduro.

Dividimos o monitoramento em três níveis de maturidade

Podemos classificar o monitoramento de informações das empresas em três níveis de maturidade. Leia e veja em qual a sua organização se encaixa.

Como vimos o monitoramento de informação é fundamental para corporações que desejam evitar perdas por atitudes antiéticas, fraudes, vazamentos entre outros. E para isso, é preciso seguir alguns pilares que garantem que a empresa tenha total maturidade para lidar com esse processo, seja de forma preventiva ou reativa.

Já ouviu falar em RPA? Ou automação robótica de processos? Muitos sites pedem para você fazer um pequeno teste antes de autorizar seu acesso. Você provavelmente já se deparou com um deles! Por exemplo: já ficou procurando semáforo em 8 fotos? Ou tentando decifrar letras e números meio confusos em uma imagem? Ou, até, simplesmente clicou em uma caixinha declarando “não sou um robô”?

Essas ferramentas são chamadas de CAPTCHA, sigla que, traduzindo para português, significa “Testes completamente automatizados para separar Humanos de Computadores”. Elas têm como finalidade evitar o acesso de robôs aos sites.

Mas, afinal, que robôs são esses que ficam tentando acessar sites na internet?

Diferentemente do que você pode imaginar, não são braços mecânicos que mexem sozinhos no mouse e no teclado. Na verdade, são simples programas de computador que podem executar automaticamente atividades pré-determinadas, simulando o comportamento de um usuário humano. Em outras palavras, são softwares de automação de processos, com  sigla em inglês RPA (Robotic Process Automation).

Isso nos leva justamente ao tema desse artigo: como os robôs são usados?

RPA: o mau uso da automação de processos com robôs

Agora, você sabe que existem softwares robôs, ou bots, que conseguem executar atividades que emulam sua interação com o computador. Um exemplo do que eles são capazes de fazer é acessar redes sociais e curtir posts sobre assuntos específicos, que ele reconhece por meio de palavras-chave.

Se você acompanhou toda a discussão sobre o uso de robôs pelos partidos políticos na eleição de 2018, já deve ter entendido como estes podem ter impactado o processo.

As redes sociais usam algoritmos para definir quais conteúdos aparecem mais na timeline das pessoas, e um dos elementos desses algoritmos é o número de interações com o conteúdo. Então, se você tem bots dando “likes” sem parar em determinado post ou perfil, esse conteúdo vai ganhar mais visibilidade.

Esse é um exemplo de mau uso da tecnologia e, voltando ao início desse texto, para evitar esse tipo de problema é que foram criados os testes CAPTCHA e outras ferramentas de controle.

RPA: o bom uso da automação de processos com robôs

No entanto, cuidado para não se enganar pensando que os robôs só podem ser usados para finalidades negativas. De fato, o bom uso de uma tecnologia de RPA pode ajudar, e muito, pessoas e empresas a melhorar suas rotinas de trabalho e seus resultados!

Você já ligou para o telemarketing de uma operadora de telefonia ou TV a cabo, informou seus dados pessoais e ficou aguardando um tempão na linha, sem ouvir nada? Quando isso acontece, é provável que o atendente esteja buscando manualmente suas informações em diferentes sistemas da empresa. Só depois é que ele vai conversar com você para entender o seu problema dar uma solução. Nada eficiente, certo?

Felizmente, esse cenário, que antes era muito comum, está mudando. Aplicando automação neste processo, o cliente pode digitar seu CPF no teclado do telefone e o robô busca automaticamente todas as informações do usuário nos sistemas. O resultado sai em questão de segundos e muitas vezes nem é necessário acionar o atendente humano para resolver seu problema, mas caso seja necessário o atendente já entra na ligação com tudo que ele precisa para focar na solução do seu problema.

Com a automação de processos por meio do uso do robô no atendimento, todos saem ganhando. Ganha o cliente, que recebe um atendimento mais ágil; o atendente, que consegue alcançar uma maior produtividade no trabalho, eliminando a parte burocrática do atendimento; e a empresa, que consegue atender mais clientes e com melhor qualidade, o que ajuda na fidelização.

Adotando o RPA na prática: desafios

As soluções e ferramentas de RPA estão disponíveis e cada vez mais acessíveis. Entretanto, isso não significa que não existam alguns desafios a superar.

Em primeiro lugar, para tirar proveito destas soluções, é importante saber escolher e priorizar as rotinas e atividades que serão automatizadas, garantindo o máximo benefício para os envolvidos.

Uma vez que são escolhidas as atividades, é importante garantir a documentação do processo que foi automatizado, pois como todo software o robô também é sujeito a falhas e é importante que alguém assuma a atividade caso o robô pare de funcionar.

É por isso que muitas empresas vem investindo na construção de Centros de Excelência de Automação de Processo, que suportam a identificação de oportunidades de automação, implantação dos robôs e manutenção das atividades conduzidas por robôs.

A grande vantagem da robotização

Se você precisar se lembrar de apenas uma vantagem da automação de processos, depois de ler esse artigo, que seja essa: as pessoas podem parar de trabalhar em atividades repetitivas, que acrescentam pouco, e aproveitar melhor seus talentos para atividades que geram mais valor!

Quer saber mais sobre RPA, automação de processos e robôs? Entre em contato com a Protiviti, que é especialista no assunto, e nossa equipe vai responder todas as suas dúvidas sobre o assunto.

O marketplace é uma espécie de shopping center virtual no qual empresas ou pessoas vendem seus produtos em uma plataforma centralizada que as conecta com potenciais consumidores. E, como todo negócio online ou físico, é passível de fraudes. Existem plataformas puras de marketplace, como Ebay e Mercado Livre, e plataformas híbridas, nas quais as empresas cedem espaço para as outras organizações venderem seus produtos.

Este segundo modelo foi idealizado e implantado pela Amazon em 2014. Seu sucesso foi tão grande que se espalhou pelo mundo como rastilho de pólvora. No Brasil, os gigantes do comércio eletrônico, como B2W, Magazine Luiza, Carrefour, ente outros, aplicam o modelo de marketplace em suas plataformas.

Porém, há riscos que estas empresas estão expostas ao permitir que sellers (nome dado às empresas que se cadastram no marketplace) vendam produtos em seu ambiente virtual. E isso pode trazer impactos, principalmente, à imagem e aos resultados financeiros do negócio. Vamos explorar alguns riscos a seguir. Confira!

Marketplace: sellers incapazes de atender a demanda de venda

Em geral, são empresas individuais ou de pequeno porte, que não têm capital de giro para sustentar altos estoques. E isso pode fazer com que eles não tenham capacidade de atender a alta demanda das vendas no marketplace.

Isto também acontece quando a empresa cai na armadilha de vender com preços baixíssimos, se iludindo com o volume de vendas, mas não se atentando à baixa margem e incapacidade de financiar a compra de novos produtos.

Para tratar este risco, é importante que a plataforma crie gatilhos de venda no início da vida do seller, delimitando o volume de venda. Isso permite testar a capacidade de atendimento do seller aos seus clientes.

Sellers fantasmas

Há casos de fraudadores que se apropriam de dados de empresas para cadastrá-las em marketplaces. Ou ainda, criam empresas para forjar vendas e nunca entregar os produtos. Este tipo de fraude tem vida curta, pois, o nível de reclamação dos clientes rapidamente sinalizará que algo está errado.

Porém, até lá, a imagem do marketplace poderá ficar arranhada. Além disso, essas fraudes podem acontecer em alto volume, pelo uso de robôs de cadastro. Com isso, é possível criar dezenas de sellers fantasmas ao mesmo tempo.

Uma das saídas para isso é travar o pagamento do seller e realizá-lo apenas após a confirmação da entrega do item. Outra solução é a implantação de inteligência artificial para análise de comportamento (user behavior analytics – UBA).

Essa é uma ferramenta que capta o comportamento do usuário e consegue identificar se há um ser humano por trás da máquina ou um robô realizando processos em massa. Ela também avalia a idoneidade do dispositivo de onde esse cadastro está sendo feito.

Venda de produtos irregulares (piratas, sem certificação)

Segundo um estudo da MarkMonitor, em parceria com a Vitreos World, aproximadamente um terço dos usuários da internet foram enganados e levados a comprar produtos falsificados. No Brasil, basta entrar no Reclame Aqui que a insatisfação com a surpresa de receber produtos falsificados comprados em marketplace é recorrente.

Este é um risco difícil, mas possível de mitigar. Algoritmos de aprendizado de máquina (Machine Learning) podem ser treinados para identificar variações de preço improváveis para um mesmo produto e, assim, apontar o risco da venda de itens falsificados.

Outro problema crítico é a venda de itens sem certificação de agências reguladoras. As principais infrações recaem sobre itens não homologados pela ANATEL (dispositivos eletrônicos), ANVISA (suplementos alimentares e vitaminas), INMETRO (brinquedos) e ANAC (drones).

Estar em conformidade com agências reguladoras e certificadoras é um grande desafio hoje para os marketplaces. É importante haver uma cláusula de aceite na qual o seller declare que seus itens estão em conformidade com regulações e leis locais.

Além disso, o marketplace pode também definir riscos para algumas categorias que podem passar por análise mais detalhada antes da aprovação para divulgação do item no site. Uma relação estreita  entre fabricantes e marketplace ajuda na proteção das marcas e, assim, evitam fraudes.

Cliente fantasma

Neste caso, os sellers podem forjar vendas fantasmas utilizando dados de cartão adquiridos, por exemplo, da deep web. Dessa forma, o marketplace criado é utilizado com a principal finalidade de “sacar” o dinheiro dos cartões de crédito roubados por meio de vendas que não existem.

Este ataque também pode ocorrer por meio de robôs que executam processos em massa. Logo, uma solução de UBA também pode ser aplicada para conter esse risco.

Como prevenir fraudes no marketplace

A criatividade e as amplas possibilidades de fraudes demandam uma abordagem multidisciplinar de prevenção. Ela deve abarcar um processo com múltiplos modelos para identificação e tratamento deste problema.

Abaixo, são apresentadas algumas soluções para prevenção de fraudes no marketplace. Confira!

Due Diligence e scoring de risco do seller

Esta diligência consiste na avaliação de dados cadastrais e dados financeiros do seller, que deve resultar em um scoring com base em regras pré-determinadas. Estas devem considerar os dados enviados per se, como, por exemplo: data de abertura, tamanho da empresa, CNAE, etc.

Também deve realizar análise externa das informações, como, por exemplo: checagem do CNPJ na Receita Federal, avaliação dos sócios da empresa etc.

O scoring de risco pode determinar, por exemplo, o volume de venda permitido pelo seller, que pode subir de acordo com o nível de serviço (entregas atendidas e avaliação de consumidores) que o mesmo terá na plataforma ao longo do tempo.

Monitoramento do cadastro de produtos

O cadastro dos produtos deve ser monitorado pela plataforma, garantindo que itens falsificados, não homologados ou proibidos por lei não sejam vendidos. Este processo pode ser feito por meio de algoritmos de deep learning que conseguem identificar o item da foto e cruzar com a descrição dada ao produto.

Além disso, é possível solicitar alguns campos que, se preenchidos, podem aumentar a confiabilidade do item (ex.: código universal, código EAN). Outra forma de monitorar o cadastro é aplicar um algoritmo de machine learning para acompanhar o preço do produto e cruzá-lo com o mesmo em outros sellers. Em caso de grandes divergências, o item pode ser bloqueado para averiguação.

User Behavior Biometrics/Analytics no marketplace

Com base na captura dos dados do usuário que está acessando a plataforma, é possível identificar tanto as características do dispositivo como o comportamento do usuário. Isto permite identificar, por exemplo, se há um humano ou um programa (robô) por trás das ações no marketplace.

Além disso, é possível detectar dispositivos com características suspeitas como, por exemplo: um celular recém habilitado, sem nenhum aplicativo instalado, conectado constantemente a um carregador — características incomuns e fora da média dos usuários.

Além dessas, existem outras soluções que são aplicáveis na identificação e tratamento de fraudes no marketplace e no comércio eletrônico, em geral. A aplicação delas de forma isolada ou complementar depende do nível de precisão desejado e da capacidade de investimento possível para a contenção desse risco. O lado positivo é que, com a popularização da inteligência artificial, há cada vez mais mecanismos para conter fraudes e riscos no marketplace.

O recente anúncio da criação da nova criptomoeda, chamada Libra, pelo Facebook, fez surgir uma série de discussões laterais sobre os impactos dessa nova moeda global. Se bem implantada, ela tem o potencial de ser utilizada por toda a base de usuários do Facebook, o que gira em torno de 2,4 bilhões de pessoas.

A nova criptomoeda levanta vários riscos e pode afetar tanto a soberania de nações como o ambiente das empresas. Porém, antes de falarmos sobre eles nesse artigo, vale a pena dar uma introdução rápida sobre o dinheiro e as criptomoedas. Vamos lá?

Como surgiu o dinheiro?

O dinheiro foi criado pela civilização, basicamente, para conseguir trocar bens e serviços diferentes utilizando algo que as partes confiem como sendo uma unidade comum de valor. Antes da cunhagem da moeda, civilizações usavam e ainda usam outras coisas para representar este valor, como conchas, sal, grãos, cigarro, metais preciosos, dentre outros materiais.

Qualquer que seja o dinheiro, ele é usado porque o coletivo confia naquele meio de troca. Inicialmente, o dinheiro era feito de coisas com um valor inerente, ou seja, podiam ser usadas para outros fins produtivos que não a troca em si.

Posteriormente, o dinheiro passou a ser coisas que não possuíam valor inerente, como os metais preciosos e, por último as cédulas de papel moeda. O amálgama, que une a evolução do dinheiro ao longo da história, se resume a uma palavra: confiança. A confiança permite que o dinheiro seja um meio de troca, pois o coletivo acredita e concorda que aquele bem possui um valor que é igual para todos.

Para migrar de coisas com valor inerente para coisas praticamente abstratas, o dinheiro precisou de autoridades que passaram a cunhar o dinheiro e a certificar que aquilo que estava sendo usado era legítimo e com valor. E, para se ter valor, o recurso precisa ser escasso, limitado e demandar esforço para ser criado.

O que é e como funciona o lastro?

Com o surgimento das cédulas de dinheiro, a escassez era assegurada pelo lastro. Este lastro era antigamente atrelado a metais preciosos. As primeiras cédulas surgiram como certificados de depósito de metais preciosos nos bancos que emitiam estes papéis para facilitar as trocas comerciais.

Ao invés do comerciante andar com um lingote de ouro no bolso, poderia andar com certificados de papel fracionados que representariam aquele ouro. Assim, o dinheiro passa a ser uma reserva de valor, pois mantém a sua preciosidade ao longo do tempo.

O lastro ouro foi implementado em meados do século XIX pelo Reino Unido, então potência mundial, e foi o primeiro sistema monetário internacional. O objetivo era buscar um equilíbrio e expandir a confiança das trocas entre os países, focando no equilíbrio financeiro internacional.

O lastro ouro era a materialização da confiança entre as moedas dos estados soberanos. Inicialmente, se adotou o padrão libra-ouro. Com a hegemonia dos EUA após a Segunda Guerra Mundial, o padrão dólar-ouro foi imposto mundialmente.

O lastro ouro acabou em 1971, quando os EUA aboliram a paridade ouro-dólar. Atualmente, vivemos sem um sistema monetário internacional. Sendo assim, até o ano de 2009, o que imperava no sistema econômico internacional eram as moedas soberanas fiduciárias de curso forçado. Ou seja, moedas baseadas em confiança (fiduciárias), emitidas por um agente centralizado soberano (banco central) e de uso obrigatório nos estados soberanos (curso forçado).

Como surgiu a criptomoeda?

Paralelamente a isto, existia um grupo de ativistas digitais que, desde o surgimento da internet, não aceitavam que as trocas digitais precisassem passar por meios de pagamento controlados por bancos e grandes operadores do sistema financeiro.

Se, na vida real, o papel-moeda permite que duas partes realizem trocas comerciais sem intermediários, no mundo digital, transações comerciais com dinheiro real necessitam de um intermediador. Estes intermediadores cobram taxas que, em alguns casos, são impeditivas para quem possui baixa renda. Além disso, por força de lei e compliance, são exigidos documentos que comprovem a existência das pessoas e a sua renda.

Por serem empresas privadas, determinam sua atuação com base no retorno financeiro do negócio. Essas características impedem a universalização do sistema financeiro e mantêm bilhões de pessoas desbancarizadas e à margem do sistema econômico.

Tentativas de criação de uma moeda digital começaram a ser desenvolvidas no final dos anos 80. Todas elas falhavam em ponto: o gasto duplo. Ao receber uma moeda virtual, era impossível evitar que aquele bem fosse replicado em duas ou mais transações. Logo, havia a possibilidade de criar infinitas moedas.

Foi então que, em 2008, um (ou mais de um) desenvolvedor anônimo, com o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, divulgou o documento que, no ano seguinte, se materializaria como Bitcoin. Ela tornou-se uma criptomoeda com uma tecnologia que resolvia definitivamente o problema do gasto duplo e permitiria a troca entre pares (peer to peer) sem a necessidade de intermediação centralizada.

Essa tecnologia foi posteriormente chamada de Blockchain (cadeia de blocos). O Bitcoin é um recurso escasso e limitado, pois desde sua concepção, é definido que serão emitidos 21 milhões de Bitcoins.

Além disso, sua criação demanda esforço, que é materializado pela utilização de poder computacional para resolver um problema matemático antes que os outros. O ganhador dessa corrida valida, então, um bloco que será integrado à cadeia de blocos e, por isso, ganha uma quantidade de bitcoins.

A dificuldade do problema matemático cresce à medida que mais poder computacional entra na rede. Se nos primórdios do bitcoin era possível validar um bloco com um notebook, atualmente o poder computacional plugado na rede é muitas vezes superior ao mais potente supercomputador do mundo.

O nome desse modelo é o POW (Proof of Work – Prova de Trabalho). Considerando o dólar como comparador de poder de compra, o valor do bitcoin é flutuante e condicionado às leis de oferta e demanda.

Como dito anteriormente, a rede do bitcoin é descentralizada, pois funciona com poder computacional dos mineradores. Também permite que outros usuários possam se conectar democraticamente ao sistema rodando “nós” de validação das transações, sem necessidade de nenhuma aprovação de um agente. A isto se dá o nome de acesso não permissionado.

Logo, o alto poder computacional aliado à descentralização do mesmo tornou o sistema imune a ataques de hackers. Porém, o lado negativo disso é a escalabilidade de uso, pois para evitar o gasto duplo, todas as transações do bitcoin precisam ser validadas a ponto de gerar um consenso entre todos esses usuários. E isso pode demorar.

O exemplo oposto são os meios de pagamentos centralizados, como os cartões de crédito. A validação da transação precisa ser feita apenas pela bandeira do cartão. Isto permite que muitas transações sejam feitas ao mesmo tempo, garantindo a escalabilidade.

Entenda como a criptomoeda revoluciona o sistema financeiro

Estamos presenciando revolução na qual a criptomoeda chamada Bitcoin marcou o início da separação entre o dinheiro e o Estado. O sucesso da rede bitcoin levou à criação de centenas de outras redes de blocos nos anos seguintes, com características distintas e singulares, mas que, em resumo, romperam com a hegemonia das moedas soberanas fiduciárias de curso forçado.

Essas novas características envolvem o surgimento do POS (Proof of Stake – Prova de participação), um modelo onde a mineração é substituída pela participação do usuário, que pode ser mensurado pelo tempo conectado na rede, a quantidade de criptomoedas que ele possui, e assim por diante. Também fomentou o surgimento das stablecoins, criptomoeda que é lastreada em um ou mais ativos com baixa volatilidade, redes privadas com acesso permissionado, etc.

O desafio atual da criptomoeda é preencher as características que as tornariam efetivamente um dinheiro universal. Devem ser uma reserva de valor, garantindo a sua preciosidade ao longo do tempo, precisam ser um meio de troca e, para isso, sua utilização deve ser amplamente difundida e, por último, deve ser uma unidade de conta.

Além disso, deveriam endereçar problemas que o sistema financeiro atual está sendo incapaz de atuar, que é a universalização do uso com baixas taxas de transação. Também deve oferecer uma interface amigável de uso, com o mínimo de fricção possível no processo. Acima de todas essas características, deve haver o guarda-chuva principal que sela todas essas características entre todos os participantes e usuários desse sistema financeiro: a confiança.

O papel da criptomoeda do Facebook nesse contexto

Diante de todo contexto histórico do dinheiro, chegamos então às aspirações do Facebook de criar uma criptomoeda chamada Libra.

Em resumo, esta moeda pretende endereçar todas essas oportunidades, por meio de uma criptomoeda com acesso permissionado. Ela irá usar a Prova de Participação, lastreada em uma cesta de ativos já existentes e gerenciada por uma associação sem fins lucrativos, composta por organizações com fins lucrativos.

Em resumo, é uma rede privada, composta por um grupo seleto de empresas escolhidas pelo Facebook para operarem os nós dessa rede, mediante uma contribuição de USD 10 Milhões para a criação da moeda.

Riscos da criptomoeda do Facebook

Sob o prisma macroeconômico, o principal risco está associado à perda da independência de alguns países. Eles podem ter sua moeda oficial substituída pela Libra, num processo de “libralização” das economias.

O processo de enfraquecimento de moedas locais pode se iniciar por uma corrida de demanda para as moedas que compuserem esta cesta de ativos da libra, gerando o enfraquecimento de moedas fora da cesta, como o Real, por exemplo.

Com a moeda fraca, alguns países serão forçados a ancorar sua moeda na nova Libra, uma vez que será um ativo com maior reserva de valor e, a depender da implantação, um meio de troca efetivo. Para isto, os bancos centrais desses países passariam a comprar Libras imprimindo cada vez mais a moeda local. Isso a enfraqueceria até o ponto de perder a importância dela e ser definitivamente substituída.

Neste cenário, o país cuja economia está “Libralizada” abre mão de sua política monetária e cambial, uma vez que não tem mais soberania e autonomia sobre a sua moeda e se submete à fundação que gerencia a Libra.

De certa forma é isso que ocorre hoje com os países europeus, que abandonaram suas moedas locais para usarem o Euro. Porém, este movimento, além de controlado, foi feito em países com economias relativamente equivalentes e com graus de desenvolvimento semelhantes. Além disso, todos que abriram mão de suas moedas estão representados no Banco Central Europeu, coisa que não aconteceria com a Associação Libra.

Esta associação sem fins lucrativos, composta por empresas privadas com fins lucrativos, seria responsável por gerenciar as reservas da cesta de ativos cuja a criptomoeda Libra for lastreada. Também é responsável pela destruição das Libras, de acordo com a política de gestão de reservas.

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Preocupações em adotar a criptomoeda do Facebook

Existem 2 aspectos obscuros e que precisam de maior transparência para construir a confiança dos atores deste sistema.

1. Quem latreará a Libra?

O primeiro é definir quem serão os parceiros do sistema financeiro atual que irão receber as reservas da cesta de ativos que lastrearão a Libra.

Esta é uma discussão que se dá com a stablecoin Tether (USDT) que, atualmente, é lastreada em dólar. Atualmente há USDT 3,5 bilhões de tokens emitidos e nada garante que há 3,5 bilhões de dólares em reserva para lastrear estes tokens.

E, mesmo se existir esse montante, não se sabe em qual instituição financeira ele se encontra e qual o risco dela. A falta de transparência sobre o USDT já provocou alguns solavancos no mundo da criptomoeda. A falta de transparência sobre os detentores das reservas de lastro da Libra podem gerar impactos sistêmicos em economias reais.

2. Transparência na cunhagem e destruição

O segundo ponto obscuro da nova criptomoeda é a transparência na cunhagem e destruição da Libra. Em um ambiente fechado, com participação restrita aos membros dessa associação, a cunhagem e destruição dos tokens ficaria restrita apenas a este grupo.

Sob o prisma microeconômico, o principal impacto está no total redesenho do mercado financeiro dos países, gerando uma ruptura semelhante ao que, por exemplo o Uber, Airbnb e Netflix fizeram, respectivamente, com os mercados de mobilidade, hotelaria e mídia de entretenimento.

Ou seja, uma solução mais simples, fácil e barata de usar rompe com o modelo tradicional do mercado e, por consequência, com seus participantes. As fintechs de meio de pagamento locais poderão sucumbir ou perder grande relevância diante da nova criptomoeda.

Este processo já pôde ser visto, por exemplo, no Quênia, onde a Vodafone criou o M-Pesa, que é uma espécie de banco por celular. Esta solução foi massivamente adotada no país, encampando mais de 60% da população adulta do país.

Na China, o WeChat, similar ao Whatsapp, possui um sistema completo de meio de pagamento que permite transações online e offline. Porém, em ambos os casos, as empresas usam moedas locais para transações e não desenvolveram seu próprio dinheiro.

A ética como desafio para a implantação da Libra criptomoeda

A ética como desafio para implantação da Libra

Sob o prisma da ética organizacional e compliance, algumas das empresas que fazem- parte da Associação Libra não possuem um histórico ilibado a ponto de carregar a confiança de todas as partes em uma moeda global.

Basta lembrar o caso do acesso ilegal de dados de usuários do Facebook pela Cambridge Analytica, as acusações de manipulação das eleições na África e implicações da empresa no genocídio de Mianmar.

Alega-se, porém, que comportamentos individuais das empresas seriam contidos na Associação que seria composta, em grandes linhas, por empresas de alta reputação. Este mesmo argumento não faz efeito para as grandes instituições financeiras da atualidade que permitem anualmente a lavagem de USD 2 trilhões.

E falando em lavagem de dinheiro, esta é uma questão que fica em suspenso nesse novo sistema financeiro. A livre transação da Libra entre fronteiras, por meio de carteiras desassociadas das identidades dos seus donos é um prato cheio para esquentar dinheiro ilícito.

Se no atual arcabouço complexo que dita as regras para contenção de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, as instituições possuem brechas, este novo cenário não apresenta melhorias para isto.

Além dos riscos acima, há inúmeros outros que podem ser explorados. A oportunidade de prover acesso ao sistema financeiro para uma massa de desbancarizados e à margem do atual modelo, passando pela separação entre estado e dinheiro já é uma realidade.

Porém, há dois caminhos postos no horizonte. Transferir esta tutela para a população, por meio de um sistema verdadeiramente descentralizado ou concedê-lo a um grupo de empresas que regerão o novo sistema financeiro.

Como vimos, a criptomoeda terá impactos profundos tanto nas instituições financeiras como no comportamento de consumo digital como um todo. Agora, resta saber como responder aos questionamentos acerca dos riscos e impasses éticos que serão os novos desafios para esse novo paradigma monetário.

Você compartilha dessas preocupações acerca da nova criptomoeda do Facebook? Então comente o post e compartilhe sua opinião conosco.

A figura da diligência prévia, mais conhecida pela expressão em inglês due diligence, vem tomando cada vez mais espaço nas práticas de negócios promovidas por empresas brasileiras. Em tempos de “Lava Jato”, os departamentos de compliance das companhias utilizam esta ferramenta para conhecer com mais profundidade seus parceiros de negócios, sejam estes fornecedores ou compradores, antecipando-se à ocorrência de possíveis fraudes e até a riscos de imagem do seu negócio que o envolvimento com mídias negativas podem causar.

O processo de due diligence

O processo de due diligence não é exatamente algo novo, já era usado comumente no meio empresarial para fornecer subsídios para investidores em negócios por meio da coleta de dados e informações sobre empresas que lhes interessavam comercialmente. Neste aspecto, o tipo mais padronizado de due diligence empreendida nos negócios no Brasil é a consulta aos cadastros de órgãos de proteção ao crédito, tais como o SPC, Serasa e SCPC.

Dado a facilidade e rapidez de acesso aos dados aliado ao custo relativamente razoável por consulta, faz sentido que a maioria das empresas recorram a esses mecanismos antes da realização de operações diárias de compra e venda. Contudo, quando se trata da realização de negócios envolvendo valores elevados ou cuja duração seja prolongada no tempo, estes meios se mostram insuficientes para minimizar todos os riscos de uma operação comercial.

A importância da due diligence no mercado de crédito

Em situações em que a inadimplência já se consolidou, a opção mais comum é a venda da carteira para empresas de recuperação de crédito, envolvendo altas taxas de deságios para o empresário. Nessa situação, o due diligence patrimonial é uma opção que ganha cada vez mais importância no mercado de crédito.

Revelando todos os tipos de ativos de um investigado, que pode ser tanto um fornecedor quanto um comprador ou até mesmo o recebedor de um empréstimo ou financiamento, este procedimento permite que o empresário gerencie efetivamente os riscos de eventual inadimplência ou descumprimento contratual ao ser relacionar com determinada pessoa ou empresa.

Portanto, vai muito além de conhecer superficialmente com quem o empresário se envolve. A elaboração de um due diligence patrimonial, também denominado como levantamento ou investigação de ativos, permite que a empresa e o empresário não só tenham total ciência da situação patrimonial atual e futura do parceiro de negócio, como também saber quais bens e direitos efetivamente possui.

A vantagem da investigação de ativos

Outra vantagem da investigação de ativos prévia é permitir a identificação rápida de maquiagens contábeis e fraudes patrimoniais que o futuro parceiro de negócio esteja cometendo. Dessa forma, o empresário pode tanto abortar a concretização de um negócio como se antecipar, por meio de incidentes, tutelas e ações judiciais, para impedir ou combater fraudes que estejam em progresso para prejudicar o negócio que já foi realizado.

Inegavelmente, riscos em negócios sempre existirão e fatores prejudiciais ao seu desenvolvimento estarão à espreita. Exatamente por isso que agir com cautela e preparo, tomando todas as medidas necessárias para minimizar a ocorrência de possíveis problemas, especialmente os que poderiam ser evitados por meio da realização de um due diligence patrimonial, pode mostrar crucial para garantir a continuidade financeira da vida de uma companhia.

Se você quer especialistas em due diligence, entre em contato conosco. Nós temos os melhores profissionais para ajudá-lo no processo de preservação da imagem da sua empresa e na prevenção de possíveis fraudes.