Celulares, tablets e computadores não são apenas ferramentas de trabalho: hoje, esses equipamentos concentram informações financeiras, dados de clientes, comunicações corporativas e acessos a sistemas internos. Essa concentração de informação faz com que qualquer falha de proteção nesses aparelhos, seja um ataque virtual, o roubo de uma senha ou o simples furto físico do equipamento, possa se transformar em um incidente de segurança da informação, com impactos financeiros, reputacionais e regulatórios para a organização.
Proteger esses dispositivos não é só uma questão técnica de TI, mas também um tema de governança: envolve definir regras claras, garantir que elas sejam seguidas e assegurar que a empresa esteja preparada para reagir rapidamente caso algo saia do controle. Este artigo apresenta os principais cuidados que devem ser adotados e cobrados pela área de riscos e compliance.
1. Manter os equipamentos sempre atualizados
Assim como um prédio precisa de manutenção preventiva, os dispositivos precisam de atualizações regulares. Os fabricantes lançam correções constantes para falhas que já são conhecidas e exploradas por criminosos. Um aparelho desatualizado é, na prática, uma porta destrancada.
Para isso, é fundamental que as atualizações de sistema e dos aplicativos estejam configuradas para ocorrer automaticamente, e que aplicativos não utilizados sejam removidos, já que representam risco sem trazer benefício algum.
2. Senhas fortes e verificação em duas etapas
Senhas fracas, repetidas ou fáceis de adivinhar continuam sendo uma das principais portas de entrada para roubo de credenciais. Da mesma forma que uma empresa não usaria a mesma chave para todas as suas portas, cada sistema deve ter uma senha própria e robusta.
Sendo assim, assegure que as boas práticas estejam implementadas, tais como:
- Uso de senhas longas e diferentes para cada sistema, idealmente geradas e guardadas em uma ferramenta confiável de gerenciamento de senhas.
- Ativação da verificação em duas etapas (um código ou confirmação adicional além da senha) em e-mails, sistemas financeiros e demais ferramentas sensíveis.
- Bloqueio de tela obrigatório em todos os dispositivos, usando biometria (digital ou reconhecimento facial) combinada com senha ou código numérico.
3. Criptografia: uma trava a mais na proteção dos dados
Todos os dispositivos modernos possuem um recurso chamado criptografia, que funciona como um cofre: mesmo que o aparelho seja roubado e removido do controle da empresa, as informações continuam ilegíveis para quem não tem a senha correta. Esse recurso normalmente já vem pronto para uso, bastando ser confirmado e mantido ativo.
Por isso, verificação periódica de que esse recurso está ativado em todos os celulares, tablets e computadores usados no trabalho, especialmente em equipamentos que armazenam dados de clientes ou informações estratégicas.
4. Preparo para casos de perda, furto ou roubo
O maior risco não é apenas o dispositivo ser perdido, mas o que pode ser feito com as informações nele contidas. Por isso, é essencial que existam mecanismos para localizar, bloquear ou apagar remotamente os dados de um aparelho fora de controle, de forma parecida com o cancelamento de um cartão de crédito perdido.
Para isso, boas práticas podem ser aplicadas:
- Ativação das ferramentas de localização e bloqueio remoto disponíveis em todos os aparelhos.
- Definição de um tempo curto para o bloqueio automático da tela quando o dispositivo fica sem uso.
- Um procedimento formal e conhecido por todos: o que fazer e a quem avisar imediatamente em caso de perda ou roubo.
5. Cópias de segurança das informações
Além de proteger o acesso, é preciso garantir que a perda de um equipamento não signifique a perda das informações nele contidas. Cópias de segurança automáticas evitam que dados importantes desapareçam junto com o aparelho.
Desta maneira, a empresa deve assegurar uma rotina de backups automáticos, com testes periódicos para confirmar que as informações podem realmente ser recuperadas quando necessário.
6. Atenção a fraudes e mensagens enganosas
A maioria dos roubos de credenciais não depende de invasões sofisticadas, mas de mensagens ou e-mails enganosos que induzem a pessoa a fornecer sua própria senha (prática conhecida como phishing). Esse é, na prática, um risco de comportamento humano, não apenas de tecnologia.
A conscientização sobre o problema é fundamental, sendo assim algumas práticas são importantes:
- Treinamento periódico das equipes para reconhecer mensagens suspeitas e evitar cliques em links desconhecidos.
- Instalação de aplicativos apenas por meio de lojas oficiais, evitando fontes não confiáveis.
- Uso de conexões seguras (evitando redes Wi-Fi públicas sem proteção) para acessar sistemas corporativos.
7. Governança sobre o uso de dispositivos
Por fim, do ponto de vista de compliance, é importante que a proteção dos dispositivos não dependa apenas da boa vontade de cada colaborador, mas de regras formais e supervisionadas pela organização.
Para isso, podemos exigir algumas ações necessárias:
- Adoção de uma ferramenta de gestão centralizada de dispositivos, que permita à empresa aplicar regras de segurança e, se necessário, bloquear ou apagar dados remotamente de forma controlada.
- Separação clara entre dados pessoais e corporativos em aparelhos usados para as duas finalidades.
- Política formal, revisada periodicamente, definindo requisitos mínimos de segurança para qualquer dispositivo, próprio ou da empresa, usado para acessar informações do negócio.
A proteção de celulares, tablets e computadores não deve ser vista como uma tarefa pontual de tecnologia, mas como parte contínua da gestão de riscos da organização. Atualizações em dia, senhas fortes, criptografia, planos de resposta a perda ou furto, cópias de segurança, atenção a fraudes e regras formais de uso são camadas complementares: nenhuma sozinha garante proteção total, mas juntas reduzem de forma significativa a chance de um incidente se transformar em prejuízo financeiro, vazamento de dados ou exposição regulatória. Para a área de riscos e compliance, cobrar e monitorar essas práticas é uma forma direta de proteger a organização e seus clientes.