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Gerenciamento de Riscos de Safety no varejo supermercadista

Por: Protiviti

Publicado em: 10 de janeiro de 2020

O varejo pode ser definido como o conjunto de atividades relacionadas à venda de bens e serviços. Ele lida diretamente com o consumidor final, e sua importância é cada vez mais reconhecida no cenário econômico brasileiro. E com ela cresce a necessidade de gerenciamento de riscos de Safety.

Apesar da crise econômica que assolou o país nos últimos anos, o setor tem exibido números expressivos de crescimento. Ele é, inclusive, o gerador do maior número de empregos formais no país.

Segundo o IBGE, o comércio (organizado em atacado e varejo de mercadorias) emprega 22,3% dos trabalhadores formais brasileiros. Levando-se em consideração a quantidade de pessoas em contato com esses ambientes todos os dias, como colaboradores ou clientes, é de fundamental importância que alguns tipos de riscos sejam gerenciados e mitigados.

Dentre as maiores empresas do setor no Brasil, as três principais são supermercadistas, com faturamentos brutos de dezenas de bilhões de reais por ano, seguidos por diversas lojas de departamentos, farmácias e outros segmentos. Levando-se em conta a severidade dos riscos envolvidos e o contato direto com grande número de clientes, a segurança de clientes e funcionários também deve estar na prioridade.

De acordo com informações do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho e pela Organização Internacional do Trabalho, entre 2012 e 2018 o comércio varejista de mercadorias em geral foi o segundo setor econômico com mais comunicações de acidentes, com 142.909 casos.

top 5 setores economicos; gerenciamento de riscos de Safety;
Fig.1 – Ranking de setores econômicos por quantidade de CATs (Smartlab/MPT)

Principais pilares para gerenciamento de riscos de Safety

O universo de gerenciamento de riscos de Safety costuma ser bem amplo, mas podemos basear o gerenciamento desses riscos em quatro pilares principais:
Safety
Fig. 2 – Os quatro pilares para gerenciamento de riscos de Safety

Pilar 1. Governança

Para que seja possível, efetivamente, mitigar a maior quantidade de riscos identificados, é necessário estar bem claro quem é o responsável pela solução de cada problema.

Essa clareza da responsabilidade e o correto direcionamento são essenciais para uma resolução rápida e efetiva de problemas. Além disso, toda a liderança precisa estar ciente dos riscos envolvidos nos processos em suas áreas. Ou seja, conhecer seus riscos facilita e agiliza o processo de delegação das atividades.

Pilar 2. Conscientização

É fundamental que todos os funcionários estejam cientes das responsabilidades que possuem, uma vez que distrações e falta de comprometimento podem resultar em acidentes gravíssimos.

Assim, não é efetivo apenas o investimento em infraestrutura e melhoria das instalações, tendo em vista que a causa raiz de muitos problemas não é solucionada.

Por exemplo, reformar e instalar proteções para os porta-pallets danificados de um depósito e não conscientizar os operadores das empilhadeiras, fará com que os riscos retornem. E, consequentemente, a empresa terá que fazer o mesmo tipo de investimento com recorrência.

Pilar 4. Mitigação

Uma vez que as pendências forem delegadas às áreas responsáveis (seja Manutenção, Segurança do Trabalho, Operações etc.) é necessário a correta priorização dos itens a serem solucionados e acompanhamento do progresso das soluções.

Por exemplo, havendo identificação de uma saída de emergência obstruída, a equipe da Loja deve atuar de maneira imediata assim que notificado e a área responsável pelo gerenciamento de riscos. Esta, por sua vez, deve verificar se o problema foi realmente solucionado.

Caso seja necessária a aprovação e a liberação de verba para investimentos, é preciso que seja dada ainda maior atenção pela liderança. Isso evita gargalos no processo e atrasos na resolução.

Pilar 4. Documentação

Este último pilar é de extrema importância. Pois auxilia no entendimento dos acidentes e possibilita uma visão de pontos de atenção para evitar futuras ocorrências, atuando de maneira preventiva.

É fundamental que todas as situações sejam registradas, formando uma massa de dados para análises e direcionamento dos principais problemas que devem ser atacados.

Melhores práticas para mitigar os principais riscos

Entende-se como risco de Safety todos os riscos que possam trazer algum dano à integridade física das pessoas, sendo alguns exemplos:

8 riscos de safety
Fig. 3 – Os oito principais riscos de Safety

A melhor forma de atuar no  gerenciamento de riscos de Safety é sempre de maneira preventiva. Lembre-se: podem haver vidas em jogo. Sendo assim, é necessário atenção aos pontos que apresentam maior risco. Vamos a eles?

01// Explosão

Segundo estatísticas do Corpo de Bombeiros de São Paulo, em 2015, considerando residências e ambientes comerciais, foram registrados 3.391 vazamentos com GLP no estado.

Qualquer faísca em contato com gás em ambiente confinado e sem ventilação pode ser o suficiente para causar uma explosão. Por isso, é necessário o máximo de atenção ao realizar as trocas de botijões de gás.

Sempre deve-se verificar se as mangueiras utilizadas estão dentro do prazo de validade, se as conexões estão em boas condições e se há cheiro que possa indicar algum vazamento.

02// Colapso de Estruturas

Instalar proteções (“caneleiras”) nos pés de porta-pallets dos locais onde há uso de empilhadeiras. O choque de uma empilhadeira pode ser o suficiente para derrubar todos os porta-pallets de uma loja e causar dezenas de mortes.

Há no mercado diversas soluções paliativas para esses impactos, como proteções para os pés dos montantes. Porém, é fundamental que todos os operadores estejam treinados, habilitados e cientes de todos os riscos envolvidos durante a operação de empilhadeiras.

03// Incêndio e Queimaduras

As lojas devem possuir todos os extintores e acessórios de caixas de hidrantes requeridos pela legislação vigente, as saídas de emergência devem estar desobstruídas e a central de alarme de incêndio deve estar 100% funcionais.

Também, deve ser proibida toda a prática de adaptação de fiação elétrica dos circuitos de iluminação para alimentar equipamentos, refrigeradores, etc. De acordo com a Abracopel, em 2018 ocorreram 537 incêndios derivados de curto-circuito, sendo responsáveis por 61 mortes.

04// Choque Elétrico

Todos os fios desencapados devem ser adequados e todos os equipamentos precisam possuir o pino de aterramento. Outro ponto de atenção para ajudar a reduzir a quantidade de acidentes e tornar as instalações elétricas mais seguras é sempre contratar profissionais qualificados para realizar as adequações necessárias.

Conforme o Anuário Estatístico de Acidentes com Origem Elétrica da Abracopel, apenas em 2018 foram registradas 622 mortes decorrentes de choque elétrico, sendo que o Nordeste é a região que registra mais casos, com 42% do total.

05// Queda de Mercadorias

A simples queda de uma caixa com mercadorias é o suficiente para matar um colaborador ou cliente. Para evitar este tipo de acidente é preciso atentar-se para alguns pontos:

06// Corte, Perfuração e Contusão

No piso de vendas, depósitos e retaguardas das lojas há diversos pontos que merecem atenção devido ao grande risco relacionado a cortes, perfurações e contusões. Os principais pontos são:

07// Danos Estruturais

Levando-se em consideração as dimensões das lojas de grandes grupos varejistas e a exposição às diversas condições climáticas, é de se esperar que naturalmente haja fissuras em paredes e pequenas aberturas em juntas de dilatação dos pisos.

No entanto, toda rachadura se inicia como uma fissura, e é necessário observar se há evolução do tamanho e profundidade. Também, é importante atentar-se às docas de recebimento de caminhões com mercadorias, uma vez que as batidas nas paredes contribuem para a deterioração do local.

Uma alternativa para mitigar esse efeito é a instalação de espumas de amortecimento nos pontos de impacto.

Outro ponto de atenção a observar é com relação às estruturas metálicas, como toldos e totens em lojas em cidades litorâneas, uma vez que a maresia intensifica a corrosão e aumenta a degradação dessas armações.

08// Escorregão e Quedas

Por fim, deve-se ter em mente que quanto maior a frequência de limpeza dos corredores dos pisos de vendas menor será a probabilidade de acidentes por escorregão.

Idealmente, para lojas de maior porte, todas as pessoas da equipe de limpeza do piso de vendas devem possuir um radiocomunicador, de modo a agilizar o processo desde a identificação até a mitigação de um ponto com risco. A comunicação através do próprio sistema de som da loja pode muitas vezes não ser tão efetiva.

As escadas, rampas e desníveis das lojas devem possuir as sinalizações adequadas (conforme ABNT NBR 9050), de modo a facilitar a visualização, aumentar o atrito e diminuir as chances de acidentes.

>>> Leia também: Por que alguns modelos de riscos corporativos desapontam?

Mantendo a segurança e confiança dos clientes

O intenso ritmo do comércio varejista pode muitas vezes ofuscar pontos que merecem atenção.

Apesar de as vendas estarem em primeiro plano, o investimento em melhoria das instalações, infraestrutura e treinamento de colaboradores não deve ser negligenciado, uma vez que uma loja mais segura traz mais vantagens a todos. Ou seja, o gerenciamento de riscos de Safety é crítico para o negócio.

Caso algum acidente grave venha a ocorrer, vários serão os impactos resultantes.

Por exemplo, em um colapso das estruturas dos porta-pallets no piso de vendas de uma loja de varejo atacadista devido à imprudência de um operador de empilhadeira, a empresa terá prejuízos financeiros (multas e indenizações, reparo das estruturas, desmobilização da loja e período com loja fechada para adequações).

Mas, principalmente, uma mancha na reputação da marca que dificilmente será reparada, uma vez que a confiança dos clientes será perdida.

Sendo assim, caso uma empresa deste setor deseje estar entre as marcas que mais se destacam, o gerenciamento de riscos de Safety deve ser tratado entre as lideranças com prioridade e celeridade. Tudo isso para se evitar a materialização de um risco previsível e com grandes consequências para o negócio e criar um ambiente onde clientes e colaboradores estejam em sempre segurança.



Yuri Ribeiro
é Consultor de riscos e performance na ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

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