Gestão de riscos Archives - Protiviti

Em parceria com a OneTrust e a KnowBe4, e com o apoio da Aliant, a Protiviti Brasil promoveu no último dia 30 o Risk Day: Executive Meetup On Top Risks, um encontro estratégico, fechado para convidados, que reuniu líderes executivos de empresas de diversos segmentos para uma manhã de conteúdo e networking no auditório do MAM, em São Paulo.

Voltado para C-Levels, diretores executivos e membros de conselhos administrativos, o conteúdo do evento teve como ponto de partida a pesquisa global Top Risks 2024, realizada pela Protiviti Inc. em conjunto com a Universidade da Carolina do Norte, que entrevista executivos ao redor do mundo para identificar, a partir da perspectiva coletiva dos líderes, quais os principais riscos corporativos previstos para o próximo ano e para a próxima década. A pesquisa está em sua 12ª edição e, pela primeira vez, teve um encontro presencial como um de seus desdobramentos no Brasil.

Heloisa Macari, Diretora Executiva da Protiviti, durante a abertura do evento.

A abertura do evento foi conduzida por Heloisa Macari, Diretora Executiva da Protiviti Brasil, que apresentou o evento e a pesquisa aos presentes. “Esse primeiro RiskDay 2024 já fica marcado no calendário da Protiviti no Brasil como um evento em que a gente pode não só trazer o pano de fundo dos principais riscos apontados pelos executivos brasileiros pela pesquisa Top Risks como, principalmente, promover um debate sobre eles entre os executivos, com insights muito interessantes e que de fato levam aí o nome da Protiviti e dos nossos parceiros nessa jornada de auxiliar os nossos clientes a gerir os riscos corporativos”, comentou Heloisa Macari, Diretora Executiva da Protiviti. 

Oliver Stuenkel, keynote speaker

Keynote speaker do dia, o analista político e professor associado da FGV, Oliver Stuenkel, conduziu uma palestra sobre como o cenário macroeconômico e geopolítico se relaciona com os riscos corporativos, destacando os pontos de atenção observados hoje no mundo e seu impacto na gestão executiva de empresas, principalmente no contexto global.

Painel de debates

Para encerrar a manhã, o CEO da Protiviti, Fernando Fleider, recebeu Talita Lacerda (CEO da Pet Love), Flávio Serebrinic (VP de Transformation da Atvos) e Marco Antonio Bologna (Sócio da Galápagos Capital) para o painel de debates “Da porta para dentro: Top Risks 2024 na agenda executiva”.

Confira a seguir algumas fotos do evento e baixe os resultados completos da pesquisa Top Risks 2024.

Acaba de ser divulgada a edição 2024 do ranking Leaders League, com os resultados do ciclo Dispute Resolution. 43 rankings compõem o ciclo de pesquisa Dispute Resolution, Investigations & Insurance, reunindo as melhores empresas de consultoria, escritórios de advocacia e empresas do setor. A organização é uma editora fundada em Paris, em 1996, focada em produzir relatórios e pesquisas voltadas para executivos e C-levels ao redor do mundo.

Em 2024, a Protiviti Brasil foi novamente reconhecida entre as Melhores Consultorias de Compliance, mantendo a categoria Líder – a mais alta do ranking.

via Leaders League

Além disso, a empresa também foi premiada como Excelente entre os Melhores Especialistas em Forensics e Complex Investigations, mantendo o reconhecimento do último ano, e como Altamente Recomendada entre as Melhores Consultorias de Gestão de Risco e Melhores Consultorias para Auditoria, citada pela primeira vez nesta categoria.

Os rankings produzidos pela editora são reconhecidos ao redor do mundo e reconhecidos por sua metodologia de pesquisa imparcial, compreensiva e transparente. Confira as premiações no site.

Sobre a Leaders League

A Leaders League é uma empresa de serviços empresariais sediada em Paris e uma agência de classificação com presença global. Além disso, a organização organiza eventos para executivos, rankings abrangentes e análises detalhadas projetadas para unir os mercados globais. Fundada em 1996, em Paris, a Leaders League é uma agência de classificação internacional e serviços empresariais com foco nas seguintes indústrias:

• Jurídica • Private Equity e Serviços Financeiros • Capital Humano • Inovação e Marketing • Gestão de Patrimônio e Gestão de Ativos A empresa organiza mais de 20 eventos de alto nível em capitais globais como Paris, Nova York e São Paulo, além de produzir classificações internacionais e conteúdo de notícias para as indústrias jurídica, financeira, tecnológica e de RH.

A Leaders League é composta por 150 profissionais distribuídos em vários locais ao redor do mundo, incluindo a sede em Paris e escritórios em Londres, Madri, Lima, Milão, Rio de Janeiro e São Paulo.

Mapear e compreender os riscos do surgimento de novas tecnologias e ferramentas é indispensável para negócios de todos os segmentos. Entender os riscos da inteligência artificial, por exemplo, é um desses casos.

O surgimento de novas tecnologias e mecanismos que alteram a forma com que as pessoas realizam tarefas aos quais já estão habituadas a lidar sempre foi motivo de receio pela classe trabalhadora. Alguns acreditavam que, com o surgimento da revolução industrial, trabalhadores perderiam seus empregos. Esse foi um medo que voltou a surgir também nas evoluções tecnológicas subsequentes. É possível citar nesse contexto também a popularização da internet, a evolução da robótica e, por fim, a difusão das Inteligências Artificiais.

É certo que o avanço das tecnologias empregadas nas IA’s (inteligências artificiais) possibilita um aumento no potencial de trabalho para profissionais que aprendem a utilizá-la. Mas, além disso, acarreta em maior cobrança por parte daqueles que não exploram os benefícios na utilização dessa tecnologia. Isso porque novas técnicas potencializam o que as pessoas podem fazer e, consequentemente, há uma expectativa maior do que é preciso entregar para continuarem sendo consideradas produtivas perante à sociedade.

Riscos da Inteligência Artificial

Com a rápida evolução das IA’s, em decorrência dos aprimoramentos aos quais estão sujeitas, profissionais que exercem funções repetitivas podem ser substituídos por essas ferramentas – que conseguem identificar e replicar um padrão de ação e/ou de resposta. Exemplo disso é que serviços de callcenter sofreram grande redução em comparação a décadas anteriores, devido a programações pré-estabelecidas para contato.

Outro setor que observa a redução de profissionais devido ao crescimento das IA’s e à acelerada digitalização é o setor bancário. A IA é capaz de entender o perfil do cliente e fornecer as melhores ofertas e soluções em uma espécie de “individualização bancária automatizada” para o consumidor que necessita desse serviço. Segundo dados da Febraban, entre 2020 e 2022 os 5 maiores bancos do país fecharam 2.563 agências, o que reforça o retrato desse cenário em transformação.

Deepfake e uso ético da Inteligência Artificial

Além dos impactos na força de trabalho e nos serviços, por se tratar de uma ferramenta de livre acesso, é importante reforçar que não é possível prever em como a humanidade utilizará essa tecnologia. Desde a criação do Photoshop, as pessoas utilizam as ferramentas existentes para modificação de imagens reais com diversos intuitos, inclusive de má-fé. Com as Inteligências Artificiais, isso pode ser significativamente potencializado. Novas tecnologias permitem alterar rostos de pessoas em vídeos (ação essa conhecida como Deepfake), existem casos dessa utilização para a criação de conteúdo pornográfico, o mais recente foi a propagação de imagens explícitas falsas da cantora Taylor Swift. O conteúdo veiculado fez com que a Casa Branca se manifestasse, definindo a propagação da desinformação como “alarmante”.  

Além disso, a criação de vídeos com dublagens – inclusive em outros idiomas –, sem alteração da voz da pessoa, contribui para a disseminação de Fake News. Em ano eleitoral,  é possível que comecem a surgir mais e mais vídeos falsos com a intenção de difamar ou enaltecer algum candidato ou grupo político.

Ainda em uma visão política, mas visualizando um parâmetro global, pensando em possíveis conflitos militares, os AI-DSS (Artificial Intelligence as a Decision Support System ou Sistema de Apoio à Decisão com Inteligência Artificial), já vêm sendo desenvolvidos para analisar dados e padrões. Em alguns casos, conseguem direcionar recomendações para apoiar humanos a realizarem decisões em meio a guerras.

Riscos da Inteligência Artificial: o fator humano

Porém, tecnologias como a dos AI-DSS requerem atenção. Durante a guerra fria, o coronel soviético Stanislav Petrov evitou uma guerra nuclear ao contrariar o computador do bunker em que ele trabalhava. O sistema indicou um míssil estadunidense se movendo em direção à União Soviética (US). Ou seja, as diretrizes da US apontavam para a realização de um contra-ataque nuclear de grandes proporções.  Porém, o coronel deduziu que ocorrera um erro no computador, pois os EUA não lançariam apenas um míssil no caso de ataque. Com isso, considerou como um alarme falso – que foi comprovado após algum tempo de espera. Com o possível uso militar da IA, é preciso questionar: essa tecnologia já é robusta o suficiente para não cometer erros semelhantes ao que o computador cometeu na guerra fria?

A tecnologia em si não é o problema. Os riscos da Inteligência Artificial estão vinculados a como essa tecnologia será utilizada e o quão confiável serão os dados utilizados, a lógica empregada para cálculo e os retornos de cálculos extraídos. A criação de protocolos e o aperfeiçoamento das ferramentas já existentes podem tornar as IA’s mais precisas, transparentes, e, principalmente, seguras.

No meio corporativo, a rápida evolução da Inteligência artificial fez com que alguns executivos assinassem uma carta aberta, publicada em 23 de março de 2023, solicitando uma pausa mínima de 6 meses no treinamento de inteligências artificiais mais robustas que o GPT-4. O documento já possui mais de 33 mil assinaturas, entre elas a de Elon Musk, e apela pela criação protocolos de segurança, rastreamento e regulação para a tecnologia já existente. Assim, apenas após o aperfeiçoamento do que já foi criado, essa tecnologia continuaria evoluindo.

Legislação e regulação

Nesse sentido, uma possível forma de controle seria atribuir uma identificação ao criador de algum conteúdo, seja ele de áudio, vídeo ou imagem, para que ele possa ser responsabilizado caso utilize a tecnologia com o intuito de violar alguma legislação.

Assim como seria cabido, a depender de como a humanidade utilize esses novos recursos tecnológicos, uma regulação com a criação de um comitê global, semelhante à “Agência Internacional de Energia Atômica” – instituição  que cuida da utilização de energia nuclear para fins pacíficos. O órgão também seria utilizado para regular a inteligência artificial, devido ao poder dessa tecnologia e a velocidade de evolução. Um outro exemplo é a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que garante o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), fiscalizando e aplicando sanções quando as diretrizes são descumpridas.  

Evidentemente, quando falamos de um comitê e mecanismos de regulação, essa decisão não poderá estar nas mãos de líderes tecnológicos não-eleitos. Cabe ao poder público nomear os agentes responsáveis pelas diretrizes preventivas e possíveis auditorias – a depender da forma da utilização das ferramentas de IA.

Assim como a revolução industrial, a internet e a robótica, a popularização das Inteligências Artificiais proporciona um aumento na produtividade. Mas não se pode esquecer que toda parametrização ainda é feita por humanos. A utilização da tecnologia proporcionando agilidade para atividades rotineiras sob supervisão de humanos é recomendada, mas a atribuição de decisões de maior criticidade que demandam discernimento humano não.

Por mais inteligente que a tecnologia seja, ela ainda é artificial. É de responsabilidade dos Agentes Públicos garantir que a IA sirva aos interesses da humanidade e não represente uma ameaça para aqueles que a desenvolveram.

Sobre o autor

Bruno Siqueira de Oliveira atua na área de Riscos e Continuidade de Negócios da Protiviti Brasil, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, ESG, auditoria interna, investigação e proteção e privacidade de dados. 

Veja também: Por que o Marco Legal da Inteligência Artificial é importante?

A colaboração entre clubes de futebol e empresas privadas é uma prática consolidada no cenário esportivo nacional e ainda ganhou novos contornos com a Lei n° 14.193/21, que institui a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como um modelo jurídico devidamente regulamentado.  

Nesse contexto, a tese principal defendida é a de que uma Sociedade Anônima do Futebol, que deseje se manter institucionalmente estável e queira aumentar o seu valor de mercado, precisa instituir processos de checagem de antecedentes e auditoria interna. Isso, por sua vez, fortalece a gestão de riscos de forma mais eficaz. 

Essa atividade visa a redução (quando possível) e manejamento das incertezas que afetam os principais objetivos da companhia por meio de metodologias, estratégias e ferramentas que façam sentido para o negócio em questão, com ênfase na manutenção da estabilidade institucional da organização.  

Neste caso, as novas SAFs precisarão ser especialmente eficazes, considerando que enfrentarão diversos elementos causadores de instabilidade em potencial, uma vez que tornar um clube de futebol (antes sociedade civil) em uma empresa implica uma série de mudanças culturais e estruturais, incluindo a contratação de novos colaboradores e a relação com os fornecedores. 

Sob esse aspecto, desde a alta diretoria até os colaboradores que atuam diretamente no campo, a transformação em SAF envolve algumas diretrizes, como a rápida necessidade de contratação de mão de obra qualificada e com poder decisório; treinamento e adaptação dos antigos funcionários com reestruturação de cargos; e acompanhamento do setor, com ou sem a manutenção dos colaboradores nas antigas funções, a fim de evitar riscos ali alocados antes da transformação em SAF.  

No que diz respeito aos fornecedores, o cenário é semelhante: investigar a qualidade do produto entregue, a reputação da empresa contratada e sua relação com antigos parceiros é essencial para manutenção da qualidade e evitar escândalos.   

É importante ressaltar que, em todos os cenários, a ausência da ampla adoção de checagem de antecedentes para colaboradores e parceiros pode implicar em instabilidade institucional, com prejuízos financeiros de altas proporções e danos irreparáveis à imagem do projeto recém estruturado.  

Por outro lado, a auditoria interna na SAF suporta diversos processos previstos na Lei 14.193/2021. Entre eles, estão a revisão dos contratos, bens e direitos ”herdados” das entidades de administração, assim como o desenho organizacional para segregação de tarefas (conhecido no mercado pela sigla em inglês S.o.D). Além disso, se faz obrigatória a existência e o funcionamento permanente de um conselho de administração e fiscal dentro do clube-empresa.  

Assim, os clubes que estiverem mais aderentes e evoluídos sobre o entendimento da gestão de riscos nos negócios tendem a se valorizar para o mercado. Com isso, a lógica nesta afirmação está na relação entre o valor do ativo e o risco atribuído ao negócio, pois não é racional pagar caro por um ativo que tende a oferecer ônus de natureza financeira e legal, e que pode comprometer o retorno financeiro esperado no projeto de viabilidade inicial.  

Esses objetivos podem ser alcançados por meio do conjunto de componentes interrelacionados, como ambiente de controle, avaliação de riscos, informação transparente, comunicação e monitoramento eficiente sobre as diversas áreas dos clubes, desde a financeira até a própria área de futebol.  

Para o êxito destes modelos, os clubes também precisam ter clareza sobre a necessidade de ter seu time “fora de campo”, composto por bons profissionais que sejam capazes de garantir compromissos com os objetivos da metodologia. E isso, sempre pensando em soluções efetivas para se prevenirem de riscos recorrentes na área e seguir com mais tranquilidade nos negócios. 

*Pedro César Sousa Oliveira é consultor em Pesquisa e Desenvolvimento da Aliant, empresa especializada em soluções para governança, compliance, ética, privacidade e ESG e Rafael de Souza Farias é consultor pleno de Auditoria Interna e Assessoria Financeira da Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, ESG, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados. 

Num ambiente mercadológico em que a competitividade se mostra aguda em diversos aspectos, grandes indústrias devem estar preparadas aos riscos inerentes que podem atingir as atividades corporativas e operacionais e, assim, prejudicar a continuidade dos negócios. Nesse contexto, algumas metodologias são recomendadas para garantir a sobrevivência destas organizações, mesmo em situações consideradas ‘alarmantes’. 

Um dos principais desafios das grandes indústrias está na complexidade da comunicação entre as unidades da empresa espalhadas nacionalmente. Neste caso, é importante entender que cada região possui uma cultura e, desse modo, possuem visões diferentes de riscos – assim também ocorre quando se fala de questões de continuidade. 

Nesse sentido, existem orientações específicas para o negócio que ajudam a estruturar um sistema único, ao mesmo tempo em que se respeita as diferenças e as características de uma indústria deste porte. A atividade em questão é um ponto crucial  e a existência de uma gestão segregada por unidade – porém, coesa corporativamente – pode trazer mais visibilidade aos riscos existentes para cada local, bem como possíveis ações em caso de rupturas.  

Já para a cadeia de abastecimento, a matéria prima pode ser um fator crítico, devido à escassez de fornecedores – o que pode ser diferente para outras unidades da mesma empresa. A dependência de parceiros regionais específicos para a produção demanda uma adequação ao estoque em consonância com a disponibilidade da matéria prima no mercado e o histórico de ruptura na cadeia de suprimentos por parte dos fornecedores homologados. Dessa forma, é recomendado que o estoque mínimo de cada unidade atenda a produção programada durante um período de segurança, até a possível ruptura de fornecimento ser sanada. 

Já no caso em que a estratégia de produção é verticalizada, é importante notar que há a aceitação dos riscos, tendo em vista que a prática leva a mais lucratividade, pois a empresa elimina uma etapa em que um ou mais terceiros ganhariam. Contudo, ações como estas levam ao questionamento sobre a compensação do lucro em cima dos riscos inerentes, que podem resultar em impactos preocupantes para as organizações.  

Em contrapartida à decisão de verticalização, as estratégias de continuidade de negócios devem ser robustas e, possivelmente, onerosas, visto que a dependência interna da produção aumenta. Há, nesse aspecto, a concentração de fatores produtivos que, em caso de paralisação, gerará ruptura em toda a cadeia – que poderia ser contornada a partir do contato com um outro fornecedor.  

Outro problema clássico na indústria é a interrupção dos maquinários. Neste caso,  as estratégias desenvolvidas auxiliam na percepção de quais peças podem ser mantidas em estoque ou quais máquinas backup são vitais para atenuar os impactos da indisponibilidade. Por meio de uma análise de impacto ao negócio, é possível constatar quais linhas de produção são prioritárias e causariam mais efeito para a empresa. 

Ainda no contexto de impactos das grandes organizações, as paralisações também podem deixar de ser somente operacionais e desdobrar em consequências à imagem e à reputação – podendo impactar até no nível das pessoas físicas. Para uma gestão efetiva desse tipo de situação, é orientado seguir estratégias de gerenciamento de crises, que contam com uma comunicação bem definida e executada para que, desta forma, o gerenciamento seja executado de forma plena e sem ruídos.  

Sob esse aspecto, uma organização desse porte deve possuir um canal de comunicação difundido, para que os agentes envolvidos nos incidentes possam comunicar rapidamente ao responsável pela Continuidade de Negócios e, caso necessário, informar ao responsável pela Gestão de Crises. 

Esse sistema implementado pode parecer complexo para profissionais que não atuam na área de Gestão de Riscos. Por isso, é recomendada a realização de treinamentos sobre a utilização dos documentos construídos e, assim, as partes atuantes possam agir adequadamente nessas situações. Além disso, é recomendada a realização de exercícios simulados de incidentes com o viés industrial, a fim de garantir a eficácia do sistema.  

Essas ações devem ocorrer com periodicidade definida para assegurar uma melhoria contínua e prover o aculturamento da Gestão de Riscos e da Continuidade de Negócios nas unidades. Assim, será possível garantir mais habilidade para a correta atuação durante a materialização desses riscos – tanto no âmbito local, quanto corporativo. E, dessa maneira, assegurar perenidade para os negócios da empresa, afinal em empresas de tamanha complexidade, estar preparado pode ser a diferença entre a sobrevivência e a descontinuidade do negócio. 

*Alessandro Dinamarco e Bruno Siqueira de Oliveira atuam na área de Riscos e Continuidade de Negócios da Protiviti Brasil, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, ESG, auditoria interna, investigação e proteção e privacidade de dados. 

Falamos de mudanças climáticas há pelo menos 28 anos, quando, em 1995, ocorreu a primeira COP (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), em Berlim, e as 117 nações ali reunidas decidiram que deveriam tomar “ações mais enérgicas” para a mitigação do efeito estufa. Na ocasião, ainda se discutiam sobre a finitude de alguns recursos, os efeitos das ações humanas sobre a qualidade ambiental e como os países se organizariam para frear esses efeitos. Mas quais os efeitos da crise climática na gestão de riscos?

De 1995 para cá, todos os anos as nações se reúnem planejando e revisando suas ordens para que a humanidade tenha perenidade na Terra. Corta para 2023: o ano ainda não acabou e já passamos por enchentes, incêndios, tempestades, secas e recordes de ondas de calor sendo registradas a todo momento. 

O que era antes apenas uma visão de futuro, hoje em dia se mostra como uma realidade cada vez mais proeminente. E a gestão de riscos, que nos anos passados apontava esse como um fator de ameaça, talvez de possibilidade remota, hoje entende quais os efeitos e como reagir à materialização desses eventos.

Aprofundando a visão sobre o que ocorreu em um desses eventos, na maior enchente dos últimos 40 anos no Vale do Taquarí (RS), a MetSul, estrutura de monitoramento meteorológico da região, previu que, em 3 de setembro, haveria um grande volume de chuva, podendo alcançar 200 milímetros em 48 horas. Mas, o que realmente ocorreu foi um volume de 390 milímetros em menos de 24 horas, sobrecarregando a bacia dos Rios das Antas e Taquarí, o que culminou na tragédia em que cidades inteiras ficaram debaixo d’água, com 49 mortes e mais de 25 mil pessoas desabrigadas.

E qual o papel da gestão pública na identificação, mitigação e gestão dos incidentes? A capacidade de ter estratégias efetivas estruturadas para eventos naturais de grande impacto, bem como o papel da liderança e a forma como as ações de resposta à emergência serão executados são pontos fundamentais para ganho de resiliência e mitigação dos efeitos que os impactos ambientais trarão nas próximas décadas. Assim, ações que envolvem o conhecimento da região, possibilidade de eventos extremos, ações estruturais e protocolos claros para a governança de crises são primordiais em incidentes climáticos.

Mais especificamente sobre os gestores eleitos, é importante notar a atuação que eles devem exercer nos momentos de crise – e até mesmo na preparação, antes dos eventos. E, assim como ocorreu no Vale do Taquarí, é importante que o gestor entenda que cada vez mais a opinião pública questionará não só a sua atuação, mas também o preparo para os casos de materialização de riscos ambientais. Nesse momento, torna-se indispensável apresentar uma postura íntegra e alinhada com as preocupações que todos os pilares do ESG (Environmental, Social and Governance) trazem, de modo que os efeitos não sejam o gatilho de uma crise ainda maior. 

Como vimos, os eventos ambientais deixaram de ser imprevisíveis e estão cada vez mais recorrentes e com forte potencial de impactar a existência em sociedade. Porém, continuam sendo negligenciados. Entender os efeitos da crise climática na gestão de riscos é indispensável. Vale, então, a sociedade, o poder público e as empresas refletirem: como evitar e responder a esses eventos? Eis um caminho longo a ser seguido.

*Alessandro Dinamarco é gerente de Gestão de Riscos e Beatriz Busti é consultora de Sustentabilidade. Ambos atuam na Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, ESG, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

Um mundo complexo, dinâmico e cheio de incertezas. Esse é o cenário corporativo contemporâneo, com o qual empresas e organizações de todos os segmentos precisam lidar diariamente, navegando em águas turbulentas e em constante movimento. Nesse contexto, quais são os principais desafios e riscos observados pelos executivos? Quais preocupações de destacam? A Pesquisa Top Risks 2023 responde algumas dessas questões.

Para ajudar a identificar essas ameaças e permitir que as organizações se preparem melhor para o futuro, a Protiviti e a ERM Iniciative (NC State University) realizaram o Top Risks 2023, 11ª edição da pesquisa anual que identifica os principais riscos ao negócio, na percepção de executivos e C-levels ao redor do mundo. Este ano, a pesquisa contou com a participação de 1.300 profissionais de gestão executiva, identificando quais as percepções sobre o impacto desses riscos em suas organizações em 2023. Além desses insights sobre riscos de curto prazo em 2023, os entrevistados também deram suas opiniões sobre o impacto desses riscos daqui uma década, em 2032.

Confira alguns destaques do Top Risks 2023 e navegue pelo conteúdo completo abaixo.

Top Risks 2023 – PROTIVITI BRASIL
Infogram

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Em apenas uma semana, foram noticiados casos de discriminação nas escolas em três estados do Brasil

por Fernando Fleider*

Em apenas uma semana, foram noticiados o envolvimento de alunos de colégios de três estados do Brasil com graves casos de racismo e discriminação. Alavancados pelo momento político do País, pelo poder das mídias sociais e pela divulgação na grande imprensa, os incidentes e suas consequências se tornaram o trend topic do momento.

As escolas têm sido cobradas em relação aos desfechos destes casos para garantir que não haja reincidência, mas pouco tem se falado sobre a prevenção e as ferramentas que podem ser utilizadas para lidar com o assunto.

Alguns colégios têm saído na dianteira do assunto, promovendo um ambiente que tente eliminar esses desvios comportamentais ou, ao menos, reconhecê-los de forma precoce. Numa pesquisa realizada pela Aliant, plataforma de soluções digitais para governança, riscos e compliance, o setor de educação que já utiliza o serviço de canal de denúncia saltou de 550 registros em 2020 para 3.764 denúncias em 2021, um aumento de 584% em um ano.

Considerando que, em 2020, as escolas permaneciam com o sistema remoto de aulas, e, em 2021, a maioria retornou ao modelo presencial, em especial no segundo semestre, vemos que nesse período o volume de denúncias chegou a 2.214 registros.

Os números comprovam a necessidade dessas instituições em adotarem tanto os serviços especializados de consultoria, como as ferramentas digitais para o combate de comportamentos que não são mais admitidos na sociedade e têm gerado resultados comprovados em organizações que utilizam esses recursos para reduzir incidentes.

Já há instituições saindo à frente na adoção desses serviços, como tradicionais escolas no eixo Rio-São Paulo, que recebem em seus canais de denúncia relatos ou suspeitas de discriminação, bullying e até mesmo para a chamada “doutrinação”, termo utilizado para casos em que há o entendimento de que o professor extrapola a sua responsabilidade educacional para a persuasão sobre determinada linha, seja política, religiosa ou de modos.

Indo além dos canais de denúncia, também vemos a adesão a serviços de monitoramento de mídias sociais em relação a esses comportamentos e que envolvam o nome da escola, de seus alunos e do corpo docente, assim como a promoção de constantemente treinamentos temáticos também se tornou realidade nessas instituições.

É preciso chamar a atenção para esse cenário e ressaltar que a educação continua sendo o melhor caminho para o fim das discriminações em qualquer lugar, por isso a escola tem papel crucial nesta questão. Mas, enquanto não se pode garantir que 100% dos alunos internalizaram os conceitos de diversidade, cabe às instituições monitorarem de forma contínua para que sejam evitadas as exceções que acabam trazendo prejuízos reputacionais à instituição e à sua coletividade.

Outro aspecto imprescindível para que, de um lado não sejam cometidas injustiças e, por outro, sejam recolhidas as evidências necessárias para uma ação neste sentido, é a investigação independente dos fatos, que passa pela coleta forense das mídias sociais, dos chats e pela entrevista profissional dos envolvidos.

Quando o grande responsável pela formação de uma sociedade mais justa acaba sendo o cenário de fatos lastimáveis como o ocorrido, a sociedade não deve economizar recursos para a normalização pretendida.

*Fernando Fleider é CEO da ICTS, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, ESG, cibersegurança e privacidade de dados.

Fonte: Discriminação nas escolas: a responsabilidade das instituições com a educação e os riscos reputacionais – Rota Jurídica

O desperdício e as fraudes na saúde são doenças crônicas do sistema, que precisam ser endereçadas e prevenidas.

por Pedro Barra*

A higidez é um estado buscado pela maior parte das pessoas, em especial após passarmos por uma pandemia com requintes de estafa mental. E os avanços da saúde a cada dia incrementam as opções de cuidados. Mas equilibrar um sistema de saúde é uma tarefa bastante complexa, seja ele público ou suplementar.

Vamos aprofundar um pouco no suplementar, começando pelo desperdício, que é uma doença crônica do sistema de saúde. A chave para combatê-lo é a promoção de mudanças nos modelos de remuneração, eliminando o conflito de interesses existente no pagamento por produção, cujos médicos, hospitais e laboratórios recebem de acordo com a quantidade de exames, consultas e procedimentos realizados. Tal método pode ser substituído por meio da implantação de modelos de remuneração baseados em valor, que tragam o paciente para o centro e tornem a saúde – e não a doença – o foco dos elos da cadeia de cuidado.

Para colocar tudo isso em prática é necessária uma boa definição das métricas de sucesso que permitam monitorar a relação entre a qualidade e o custo do desfecho clínico. Ou seja, as escolhas de linhas de cuidado devem influenciar as métricas de sucesso, que, por sua vez, devem influenciar a remuneração. Sendo que a escolha, por exemplo, de um tratamento menos invasivo, menos custoso e que traga um bom desfecho clínico deve refletir uma remuneração igual ou melhor para as equipes a cargo do cuidado. Pode parecer óbvio, mas isso representa uma ruptura do modelo atual, que pode ser atingida por meio do uso de tecnologias já disponíveis e acessíveis, como Inteligência Artificial e Big Data, além da humanização do atendimento, e, principalmente, da disposição das fontes pagadoras e dos grandes hospitais em promover estas mudanças, ajustando os indicadores e modelos ao longo da jornada.

Outra doença grave que afeta o sistema são as fraudes na saúde. Beneficiários fantasmas, prestadores de serviço de fachada e recibos falsos compõem a lista dos principais atalhos usados pelos criminosos. E eles correspondem a dezenas de milhões de reais, comprometendo a sustentabilidade do sistema, uma vez que impactam a sinistralidade dos planos, que acabam tendo seus preços reajustados para os usuários genuinamente interessados em sua saúde.

Para combater os esquemas de fraude na saúde são necessários mecanismos diferentes dos utilizados no combate aos desperdícios. Os princípios básicos de gerenciamento de risco de fraude precisam ser aplicados, em especial, pelas fontes pagadoras. Definir a governança antifraude, realizar e atualizar frequentemente o mapeamento de riscos, definir e implantar atividades e ferramentas de controle, estabelecer fluxos de informação e comunicação e promover o monitoramento contínuo de atividades são os pilares essenciais.

E aqui o uso de tecnologia também se faz necessário para a aceleração de mecanismos antifraude. Plataformas de diligência e onboarding de beneficiários, análise do padrão de uso em tempo real e biometria comportamental são todas possibilidades plenamente viáveis.

Os “vírus” do sistema de saúde desenvolvem-se a cada dia. Por isso, trabalhar na construção e promoção do “antivírus” em busca da sustentabilidade do setor é urgente.

*Pedro Barra é gerente sênior de performance empresarial da Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

Fonte: Fraudes na saúde: do desperdício ao crime organizado – HOSPITAIS BRASIL