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Organizações e pessoas: como o ambiente de trabalho pode influenciar positivamente a tomada de decisão de um colaborador

Por: Protiviti

Publicado em: 7 de julho de 2021

Monise Mies *

Recentemente, a mídia divulgou os esforços que a Espanha tem feito ao buscar alternativas de reabilitação de funcionários corruptos. O Governo recorreu à um Psiquiatra forense que ajudou na elaboração do Programa, e o objetivo do experimento está em descobrir se, no interior dessas pessoas, poderá existir virtudes como honestidade e ainda, possibilidade de arrependimento.

É interessante partir do pressuposto de que as pessoas podem mudar, se arrepender e se reinventarem dentro dos parâmetros éticos, entretanto, dentro de um contexto de negócio, não seria, talvez, mais vantajoso anteceder e evitar que as situações cheguem a esse ponto? Ou seja, ter meios de prever potenciais riscos decorrentes do comportamento humano, e ainda, encontrar recursos que contornem e evitem possíveis desvios de conduta?

Sabemos que a forma como uma pessoa se comporta e reage perante o meio em que vive ou estímulos que recebe é muito particular. Apesar disso, por meio de alguns métodos e ferramentas, como o processo de Compliance Individual, é possível prever possibilidades reais de como o profissional agirá diante de situações envolvendo dilemas éticos em âmbito corporativo.

>>> Leia também: O que você precisa saber sobre treinamento de Compliance

Compliance

Etapa de avaliação

Essa etapa de avaliação pode ser implementada durante processo seletivo, ou aplicada aos funcionários que já fazem parte da Organização, em casos de promoção ou mudança de área, por exemplo. Além de entender a flexibilidade moral dos profissionais diante de contextos adversos que se apresentam no cotidiano de trabalho, também é avaliado, neste processo, como este mesmo profissional lidaria e se posicionaria frente a desvios de conduta envolvendo outros colaboradores.

Tanto para os entrevistadores, quanto para aqueles que precisam fazer uma escolha a partir do resultado obtido em entrevista, é importante que exista um cuidado em relação ao pré-julgamento do profissional, uma vez que tendemos a fazer interpretações com base em nossas perspectivas, crenças e visões pessoais.

Metodologia utilizada

A metodologia utilizada nos processos permite que a análise seja realizada de forma imparcial, e tem como foco principal entender quais são as motivações de ordem moral das condutas dos profissionais, quais elementos são importantes durante uma tomada de decisão, e, ainda, como eles foram construídos, absorvidos e exteriorizados ao longo da vida de cada um. Quando se trata de comportamento humano, é primordial entendermos não apenas as nuances e os pesos das atitudes, como, fundamentalmente, o cenário e contexto em que determinado comportamento foi adotado.

Quando nos deparamos com um indivíduo que admite já ter compactuado com qualquer prática contrária à ética, não devemos acionar um radar de bloqueio e desclassificá-lo imediatamente, ou acreditar que ele não é digno de um voto de confiança. É preciso, primeiramente, buscar entender em que contexto aquilo ocorreu, como ocorreu e o que o levou a agir daquela forma antes de tomar uma decisão. Em contrapartida, é natural que tenhamos um conforto maior diante de um profissional que apresenta um perfil de comportamento norteado por valores morais, e que recusa qualquer possibilidade de agir de forma antiética. Entretanto, as aprovações não devem se restringir a esse tipo de perfil, mesmo porque, conforme as pesquisas bianuais divulgadas pela ICTS Protiviti, profissionais que não apresentam nenhum tipo de flexibilidade representam a minoria, ficando em torno de 19%, enquanto profissionais de média flexibilidade representam 57% da amostra. Esse segundo perfil se refere a indivíduos que, apesar de demonstrarem pretensão de agir corretamente, apresentam uma tomada de decisão suscetível a influência de elementos externos e pressões situacionais. 

>>> Leia também: Perfil Ético dos Profissionais Brasileiros 2019

Perfil Ético

O que o relatório de Compliance Individual apresenta como conclusão da análise não se refere a um atestado de integridade, mesmo porque, são tantas as variáveis que envolvem o nosso modo de ser e agir que se torna inviável prever todo e qualquer comportamento futuro. Mas, com o relatório em mãos, a empresa será capaz de encontrar todos os pontos de maior flexibilidade moral identificados na entrevista, e poderá tomar uma decisão mais segura, além de ser capaz de criar um planejamento eficiente e coerente com a posição que está propondo ao candidato e com os rumos da própria Organização. Além disso, é de suma importância ponderar a alçada, os acessos e a real autonomia que o profissional terá ao assumir o cargo pleiteado.

Dessa forma, ainda que o profissional avaliado não esteja totalmente dentro das expectativas no que se refere aos valores e cultura da Organização,  deve-se partir do princípio de que o comportamento e a nossa interpretação em relação a uma situação pode sofrer influências, e por isso, entender que indivíduos que se mostram, em certa medida, suscetíveis a aspectos externos, não necessariamente representam grandes riscos, já que poderão ter a sua conduta lapidada positivamente se influenciado por reforços positivos de transparência, honestidade, responsabilidade, cordialidade e respeito.

Neste aspecto, entra o papel da empresa em não se limitar apenas em adotar medidas preventivas e inibidoras de comportamentos antiéticos, mas assumir uma posição proativa de identificação de perfil, e com isso, relacionar os pontos de atenção mencionados em relatório a um escopo maior, no intuito de compreender o que eles representam e como impactariam a realidade e o ambiente organizacional, considerando a cultura corporativa, a governança e a efetividade do Compliance e dos controles internos. 

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* Monise Mies é consultora de Compliance na ICTS Protiviti

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